Recentemente, os oficiais etíopes Redwan Hussein e Getachew Reda publicaram um artigo de opinião na Al Jazeera, no qual tentam retratar a Etiópia como uma vítima inocente, sendo "arrastada" para conflitos por atores externos. Essa narrativa, segundo analistas, busca isentar o Partido da Prosperidade, atualmente no poder, de sua responsabilidade pelas crises internas crescentes no país.

Além disso, críticos apontam que essa abordagem serve como uma cortina de fumaça diplomática, que busca normalizar a retórica agressiva e as mobilizações militares do governo etíope em relação à Eritreia desde o final de 2023.

Revisão Histórica

A guerra devastadora que atingiu o norte da Etiópia de novembro de 2020 até a assinatura do acordo de cessação de hostilidades em novembro de 2022 não foi resultado de manipulação externa, mas sim de divisões étnicas internas e polarização política institucionalizada. A Eritreia, segundo registros históricos, não provocou este conflito e foi involuntariamente arrastada para a guerra a pedido explícito do governo etíope.

Após o cessar-fogo, líderes do Partido da Prosperidade expressaram publicamente sua gratidão à Eritreia, o que contrasta com a recente tentativa de descrever o país como um antagonista. Essa mudança de narrativa é vista como uma tentativa de revisionismo histórico.

Campanha de Desinformação

Desde dezembro de 2023, o Partido da Prosperidade lançou uma campanha que alega a necessidade de "acesso soberano ao mar", utilizando uma ampla mobilização de recursos estatais para legitimar essa narrativa. Essa retórica agressiva não se limita a discursos, mas também é acompanhada pela concentração de forças militares perto da fronteira com a Eritreia.

As ações da Etiópia, incluindo acordos com a Somaliland sem o consentimento do governo da Somália, têm gerado tensão com países vizinhos, evidenciando um padrão de comportamento intervencionista em busca de objetivos geopolíticos de curto prazo.