Uma pergunta simples feita por uma criança à mãe — "Mamãe, você ama mais o seu celular do que a mim?" — levou pesquisadores dos Estados Unidos a investigar a crescente competição pela atenção dos pais entre os filhos e as telas eletrônicas. O estudo, que envolveu 600 adolescentes com idades entre 12 e 17 anos, encontrou uma ligação significativa entre a percepção de distração dos cuidadores e níveis elevados de apego inseguro, o que pode resultar em problemas emocionais e dificuldades nas relações interpessoais.

A pesquisa e suas descobertas

Os pesquisadores analisaram como os jovens percebem o comportamento dos pais em relação aos dispositivos eletrônicos, como avaliam esses comportamentos e a influência disso no vínculo afetivo. A hipótese era que a percepção de menor atenção dos cuidadores resultaria em níveis mais altos de apego inseguro. Para isso, foi criada a Escala de Interferência do Dispositivo no Apego (DAIS), que mede como o uso de tecnologia pelos pais impacta a relação familiar.

Impacto da distração digital

Conforme o estudo, dados anteriores já indicavam que 68% dos pais se sentem distraídos pelo celular ao interagir com os filhos. Além disso, 46% dos adolescentes relataram que os pais frequentemente se distraem com o celular durante conversas. Os conceitos de “technoference” e “phubbing” foram utilizados para descrever essas dinâmicas, que estão relacionadas a uma diminuição na qualidade das relações e aumento de conflitos.

Consequências do apego inseguro

Os autores destacam que, embora a pesquisa mostre uma correlação, não estabelece uma relação causal direta entre o uso de celulares e o apego inseguro. Eles alertam que novos estudos são necessários para entender melhor essa interconexão, uma vez que a disponibilidade emocional dos cuidadores é crucial para o desenvolvimento saudável dos jovens.