Emprego, estudo ou projeto de vida internacional: o que explica o aumento de goianos que saíram em definitivo do Brasil? Segundo especialista, fenômeno da emigração atualmente está ligado a propósitos mais profundos, muitas vezes familiares Para muitos goianos, a saída definitiva do país tem sido um objetivo cada vez mais comum e factível. Mas se antes, o fenômeno da emigração ocorria por motivos puramente financeiros, hoje ele está ligado a propósitos mais profundos, como projetos de vida de longo prazo.

Como noticiado pelo Portal 6, o número de goianos que oficializaram a saída definitiva do Brasil quase quadruplicou nos últimos cinco anos. Segundo dados da Receita Federal, as Declarações de Saída Definitiva do País (DSDP) emitidas por goianos saltou de 358 em 2021, para 1.362 em 2026. Embora os números revelem uma alta expressiva nas formalizações, eles não significam necessariamente que todas essas pessoas tenham deixado o Brasil recentemente.

Segundo a advogada e professora Mariane Stival, especialista em Direito Internacional, é preciso interpretar os dados considerando o caráter tributário da declaração. “Esse aumento significa que mais pessoas estão formalizando a saída, não necessariamente um aumento de emigrantes. Muitos goianos já moram fora há muitos anos, mas que nunca formalizaram essa saída, e estão fazendo agora”, explica.

Para a especialista, o crescimento das declarações também reflete uma transformação no perfil dos emigrantes goianos, reflexo do mesmo movimento que ocorre no Brasil. Se antes predominavam jovens em busca de oportunidades temporárias, hoje aumentam os projetos familiares e profissionais planejados para o longo prazo. “Os números expressam um fenômeno maior, de pessoas que estão construindo projetos de vidas internacionais.

Isso ajuda a explicar a questão da idade e o aumento da idade média dos emigrantes definitivos. Antes, a principal motivação era a busca por algum tipo de trabalho, pessoas que saíam como turista para se estabelecer lá fora. Hoje vemos um número crescente de pessoas e famílias inteiras emigrando para construir uma vida internacional”, afirma Mariane.

A mudança, segundo ela, está relacionada a diferentes fatores econômicos, profissionais e patrimoniais. A busca por melhores oportunidades de trabalho, universidades estrangeiras, qualidade de vida e estabilidade econômica se soma ao interesse crescente de empresários em expandir os negócios para outros mercados. No caso de Goiás, Mariane destaca um aspecto regional que ajuda a compreender esse movimento.

“Em Goiás, especificamente, o processo de internacionalização do agronegócio tem feito muitos emigrarem, incluindo empresários e profissionais do setor”, observa. Além do agronegócio, famílias que acumulam patrimônio no exterior, sucessores de empresas internacionais e estudantes interessados em universidades estrangeiras também passaram a integrar esse fluxo migratório. Para a especialista, trata-se de uma migração cada vez mais planejada e baseada em objetivos de longo prazo.

“É muito importante fazer esse planejamento para você já entrar regular e para já ter essa integração social que vai permitir a tranquilidade da pessoa e daquela família na nação”, destaca.