O setor de pescados brasileiro enfrentará um novo desafio no mercado americano. No dia 6 de junho, durante uma audiência pública nos Estados Unidos, a National Fisheries Institute (NFI), a maior associação de pescados do país, defenderá os produtos nacionais contra as novas tarifas propostas pelo ex-presidente Donald Trump. Caso as tarifas sejam implementadas, a taxa sobre os pescados brasileiros pode chegar a 37,5%.

Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), ressaltou que os argumentos apresentados na audiência serão semelhantes aos utilizados em 2022, quando o setor lidou com tarifas de 50%. Ele enfatizou que o Brasil não compete diretamente com os EUA, pois exporta produtos que não são produzidos internamente, como a tilápia, que é um exemplo de segurança alimentar para os americanos, especialmente em um contexto de dependência da China.

Lobo também destacou que a defesa incluirá a conformidade do Brasil com protocolos sanitários, trabalhistas e ambientais, afirmando que não há trabalho infantil ou escravo na produção nacional. “Nossa produção é predominantemente artesanal, realizada por pequenas embarcações familiares, resultando em baixo impacto ambiental”, afirmou.

O contexto das tarifas se agrava desde que Trump anunciou, em 1º de junho, tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, motivadas por uma investigação sobre desmatamento ilegal e outras questões. A NFI já havia se manifestado contra as tarifas, alertando que isso poderia aumentar a inflação para os consumidores americanos.

Atualmente, os produtos brasileiros representam cerca de 5% das importações de pescados pelos EUA. Apesar do Brasil não ser o principal fornecedor, importadores americanos têm buscado diversificar suas fontes, reduzindo a dependência da China. Em 2022, as exportações brasileiras para os EUA totalizaram US$ 370 milhões, com a expectativa de alcançar US$ 500 milhões este ano, um objetivo que pode ser comprometido pelas novas tarifas.