O custo para reestruturar as redes elétricas da Grã-Bretanha pode alcançar quase £90 bilhões na próxima década, um aumento de 50% em relação às previsões anteriores, de acordo com o National Energy System Operator (Neso). Essa elevação nos custos está atrelada à necessidade de construir novas linhas de transmissão de alta tensão e infraestrutura para integrar energia de baixo carbono à rede elétrica.
Inicialmente, o Neso havia estimado que os investimentos necessários para a construção dessas instalações totalizariam £58 bilhões. No entanto, novas projeções agora indicam que £89 bilhões poderão ser necessários para atender às metas do governo britânico de energia limpa, além de acomodar a crescente demanda elétrica, impulsionada principalmente por data centers.
Investimentos necessários para o futuro energético
O Neso, que é uma entidade estatal, afirmou que o volume de investimento proposto é “amplamente consistente” com suas recomendações iniciais, mas evoluiu para se alinhar com o plano de ação do governo britânico para energia limpa até 2030. Isso inclui uma implementação acelerada de novos projetos de energia de baixo carbono e o impacto da inflação.
O ministro de energia, Michael Shanks, declarou: “Estamos adotando uma abordagem estratégica para construir um sistema energético adequado para o futuro – que proteja nossa independência energética e mantenha as contas baixas enquanto impulsiona o crescimento econômico em todas as regiões da Grã-Bretanha”. Shanks enfatizou que essas ações são essenciais para garantir que o sistema elétrico atenda às necessidades de setores como inteligência artificial e indústria, além de beneficiar residências e empresas com energia limpa e de origem nacional.
Novos projetos e metas ambiciosas
O operador do sistema recomendou 43 projetos de rede para serem implementados na década de 2030, incluindo 16 opções que não estavam presentes nas previsões anteriores do Neso para 2024. Entre essas novas iniciativas, destaca-se um projeto para conectar parques eólicos no Mar Céltico em três pontos ao longo do sul de Gales e do sudoeste da Inglaterra, além de variações ou versões atualizadas de opções previamente recomendadas.
A vitória histórica do governo trabalhista nas eleições de dois anos atrás foi marcada pela promessa de transformar o Reino Unido em uma superpotência de energia limpa até 2030, antecipando em cinco anos o plano anterior para um sistema de energia praticamente livre de carbono até 2035. O governo estabeleceu metas para dobrar a capacidade de energia eólica onshore, triplicar a solar e quadruplicar a capacidade de energia eólica offshore até o final da década.
Esse compromisso tem incentivado ações em todo o setor energético, acelerando a construção e a conexão de projetos de energia limpa antes de 2030 e ao longo da próxima década. O Neso também reformulou a fila de projetos de energia que buscam se conectar à rede, permitindo que iniciativas evitem longas esperas sob o sistema anterior. Além disso, o trabalho das empresas de transmissão para desenvolver planos de rede onshore melhorou a viabilidade desses projetos, possibilitando sua entrega mais rápida do que o esperado.
Alice Delahunty, responsável pelos negócios de transmissão da National Grid, afirmou que a empresa já está avançando rapidamente para modernizar sua rede, aumentar a capacidade e apoiar o crescimento econômico, “mantendo um foco claro no valor para o consumidor e na redução de custos”. Ela ressaltou a importância de receber sinais claros e consistentes sobre as necessidades futuras da rede, incluindo reformas nas conexões. “Planos como este do Neso são um passo importante na direção certa, demonstrando as atualizações e a escala de novos investimentos necessários, juntamente com um maior uso de flexibilidade”, concluiu.
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