A redução das listas de espera no Serviço Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido tem sido apresentada como um sucesso do governo. No entanto, especialistas levantam questões sobre a veracidade dessa narrativa.

Priscilla Alderson, professora emérita da University College London, critica a estratégia utilizada pelas autoridades do NHS, que pagaram £33 por paciente a prestadores de serviços para remover milhares de nomes das listas. Segundo ela, muitos desses pacientes ainda necessitam de atendimento.

Uma pesquisa realizada com quase 2.600 pessoas na Inglaterra revelou que 16% dos entrevistados recorreram ao setor privado nos últimos doze meses, o que levanta preocupações sobre a acessibilidade dos serviços públicos de saúde.

Alderson destaca que a diminuição dos números nas listas de espera ajuda o governo a apresentar uma imagem de eficiência, alegando que está “reduzindo os backlog” e “cumprindo as metas de tempo de espera”. Ela questiona, no entanto, a abordagem do governo em relação à imigração e à escassez de profissionais na saúde.

“Em vez de fomentar um clima de xenofobia celebrando a queda nos índices de imigração, deveríamos lamentar as milhares de vagas não preenchidas no NHS e nos serviços de saúde que urgentemente precisam de trabalhadores estrangeiros”, afirmou Alderson.

Além disso, a professora observa que a ausência de estudantes internacionais também impacta negativamente as universidades britânicas, que dependiam desse público para financiamento e para fomentar redes de amizade e colaboração internacionais.

A crítica se estende à fala do político Andy Burnham, que defende a nacionalização de serviços como a água, mas não questiona os planos de terceirização e privatização que afetam o NHS. Alderson se pergunta: “Até quando o NHS conseguirá sobreviver sob uma possível administração Burnham-Streeting?”