Em um cenário marcado pela emergência climática e pela necessidade de tornar os processos produtivos mais sustentáveis, a ciência produzida nas universidades tem sido uma aliada na busca por soluções capazes de reduzir impactos ambientais, como descreve reportagem da TV UFMG . Criado por pesquisadores do Departamento de Química, o Escalab –Centro de Desenvolvimento de Soluções para a Indústria da UFMG nasceu para preencher uma lacuna recorrente na pesquisa brasileira: a dificuldade de transformar descobertas científicas em soluções aplicadas. Em parceria com o CIT-Senai, o Centro reúne pesquisadores, estudantes e profissionais de diferentes áreas para desenvolver tecnologias, validar processos industriais e estruturar modelos de negócio para facilitar a chegada dessas inovações ao mercado.
Uma das tecnologias desenvolvidas com apoio do Escalab é a GeoCycle, startup que transforma rejeitos da mineração e da siderurgia em geopolímeros –materiais conhecidos como “cimento verde” . A tecnologia reduz em até 50% as emissões de dióxido de carbono em comparação com o cimento convencional e possibilita fabricar produtos para a construção civil, como pisos intertravados, revestimentos e estruturas resistentes à corrosão. Além de diminuir as emissões de carbono, a solução promove a economia circular ao reaproveitar resíduos que, normalmente, seriam destinados a barragens ou áreas de descarte.
Resina contra o desperdício No setor agrícola, a startup NanoFood desenvolveu uma resina nanotecnológica biodegradável, atóxica e comestível que forma um revestimento protetor sobre as frutas. A tecnologia reduz a perda de água, retarda a oxidação e protege os alimentos contra fungos e bactérias, aumentando sua vida útil após a colheita. Essa inovação responde a um problema significativo no país.
Embora o Brasil seja o 3º maior produtor de frutas do mundo, aproximadamente 30% da produção é perdida por deterioração antes de chegar ao consumidor. Ao ampliar o tempo de conservação dos alimentos, a inovação contribui para reduzir o desperdício, diminuir os prejuízos econômicos e evitar o uso desnecessário de recursos naturais empregados na produção. A atuação do Escalab está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, plano de ação global construído pelos Estados-membros da Organização das Nações Unidas.
Entre suas metas estão a redução da geração de resíduos, o fortalecimento da economia circular e o incentivo à pesquisa científica como ferramenta para enfrentar os desafios ambientais. Este texto foi publicado originalmente pela UFMG, em 22 de julho de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360 .
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