Um estudo publicado na Royal Society Open Science indica que a produção de ovos 100% orgânicos e livres pode ter consequências negativas para o clima e a natureza. A pesquisa, que utilizou dados do Reino Unido, analisou diferentes cenários para a indústria de ovos, incluindo a transição para sistemas de produção em galpões, livres e orgânicos, mantendo a produção de ovos constante.

Os autores descobriram que, embora os sistemas sem gaiolas possam atender melhor às preocupações públicas em relação ao bem-estar das galinhas, eles podem exigir populações maiores de aves e aumentar as pressões ambientais. Por exemplo, mudar de um cenário convencional para um método totalmente livre e orgânico resultaria em um aumento de 60% nas emissões e quase dobraria a ocupação de terras.

Importância do estudo

Os resultados ressaltam a necessidade de integrar os resultados ambientais nas futuras transições para a produção de ovos sem gaiolas, segundo os pesquisadores. "Nossa pesquisa enfatiza a importância de considerar o bem-estar animal, o impacto ambiental e a produção de alimentos em conjunto ao moldar o futuro da avicultura", afirma a autora Dr. Harriet Bartlett, pesquisadora sênior da Smith School of Enterprise and the Environment, da Universidade de Oxford. Ela acrescenta que estar ciente desses trade-offs complexos ajudará na tomada de decisões mais acertadas para o meio ambiente e o bem-estar animal no futuro.

A cadeia de suprimentos alimentar global gera 26% das emissões de gases de efeito estufa causadas pelo homem e é responsável por 78% da eutrofização e 32% da acidificação terrestre. A produção global de ovos é um fator-chave nesses impactos, tendo quadruplicado nos últimos 50 anos.

Desafios da transição

Com o aumento da defesa por uma transição total para sistemas de criação sem gaiolas, a pesquisa alerta para as diferenças no desempenho da produção entre os sistemas de manejo, que podem levar a resultados indesejados. "Embora esse movimento seja impulsionado por preocupações relevantes sobre o bem-estar dos animais de fazenda, as diferenças no desempenho da produção podem resultar em consequências não intencionais", explica o autor principal Oliver Martinic, pesquisador independente na Croácia.

Ainda que a pesquisa não defenda o retorno aos sistemas de gaiolas, ela destaca a importância de que fazendas e consumidores estejam cientes de todos os impactos potenciais relacionados aos métodos de produção de alimentos. "Adotando uma visão mais ampla, podemos encontrar as melhores maneiras de equilibrar esses trade-offs enquanto buscamos um sistema alimentar global mais sustentável", conclui Bartlett.

Os autores também observaram um aumento significativo na mortalidade em sistemas 100% livres e orgânicos. No entanto, reconhecem que os dados utilizados foram coletados entre 2009 e 2010, e que progressos foram feitos desde então.