Cientistas e conservacionistas no Japão estão implementando diversas estratégias para reviver e reforçar os recifes de corais de Okinawa, que sofreram um grave processo de branqueamento provocado pelo clima há dois verões. Com o oceano atingindo temperaturas recordes em junho e a previsão de um El Niño significativo para este ano, especialistas alertam que 2026 pode ser ainda mais devastador para esses ecossistemas.
Desafios climáticos e impactos locais
A região subtropical de Okinawa é conhecida por sua biodiversidade marinha, abrigando uma variedade de corais multicoloridos. No entanto, as ondas de calor marinhas criaram áreas desoladas de organismos pálidos ou doentes. Timothy Ravasi, professor do Okinawa Institute of Science and Technology Graduate University, destacou a urgência da situação, afirmando que, se não ocorrer um evento de branqueamento este ano, é quase garantido que acontecerá em breve. “Just like a bomb, it will explode,” disse ele em entrevista.
Recentemente, a temperatura do oceano ao redor de Okinawa foi amenizada por tufões que trouxeram água fria do fundo do mar. Contudo, Ravasi alerta que a complacência não é uma opção. Seu laboratório utiliza um “simulador de ondas de calor”, um dos dois existentes no mundo, para estudar como os corais e outras criaturas marinhas se adaptam a condições extremas.
Impactos da atividade humana
A economia local de Okinawa depende em mais de 80% do turismo, que é ameaçado pela construção de hotéis, pesca excessiva e poluição, além das mudanças climáticas. Ravasi enfatiza que um dos maiores desafios é convencer os stakeholders e políticos sobre a gravidade da situação. Ele sugere a redução do turismo ou da urbanização como possíveis medidas para proteger os corais, mas reconhece que essa é uma questão política complexa.
Apesar de cobrirem apenas 0,1% da superfície terrestre, os recifes de corais abrigam cerca de um quarto das espécies de peixes marinhos do mundo. A vila costeira de Onna tem liderado esforços desde 1999 para criar corais e transplantá-los ao mar. Inicialmente, a clonagem de corais era vista como uma intervenção “tabu” na natureza, mas análises de DNA mostraram impactos ecológicos mínimos, segundo Shoichi Ikeno, chefe de uma empresa de mergulho local.
Koji Kinjo, que abriu um “mar artificial” em Yomitan em 2009, também enfrentou resistência. Ele desenvolveu corais com resistência extra ao calor, utilizando métodos que inicialmente falharam, mas que agora permitem que os organismos sobrevivam a condições adversas. Kinjo acredita que, sem intervenção, os corais não conseguirão suportar o aumento do estresse ambiental e afirma: “Não há como restaurar o mar ao que era antes.”
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