No último domingo, o senador Iván Cepeda, candidato de esquerda na corrida presidencial da Colômbia, concedeu a vitória ao advogado milionário Abelardo de la Espriella, que é apoiado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A contagem preliminar já havia apontado para uma vitória apertada de De la Espriella, com uma diferença de menos de 1% dos votos.

Inicialmente, Cepeda e o atual presidente Gustavo Petro resistiram em reconhecer o resultado, afirmando que aguardariam a conclusão do processo de verificação oficial. Entretanto, após a contagem oficial mostrar uma correspondência de 99,997% com os resultados preliminares, Cepeda convocou uma coletiva de imprensa em Bogotá e finalmente aceitou a derrota.

“Neste estágio da contagem, decidi aceitar o resultado do processo, que indica que Abelardo de la Espriella é o novo presidente da república. Faço isso como um ato de responsabilidade democrática. Faço isso para contribuir com a convivência, a paz e o diálogo entre os colombianos”, declarou Cepeda.

O candidato de esquerda, que obteve 12,7 milhões de votos, apenas 250 mil a menos do que os 12,96 milhões de De la Espriella, ressaltou que “aceitar o resultado eleitoral não significa renunciar à verdade ou permanecer em silêncio diante de fatos que consideramos graves e que marcaram esta campanha presidencial”.

Em referência ao apoio de Trump a De la Espriella e ao seu caráter de “marxista de esquerda radical”, Cepeda denunciou “a interferência externa inadequada nos assuntos internos da Colômbia”, citando especialmente as ações do governo dos Estados Unidos em favor do novo presidente.

No mesmo dia, o presidente Gustavo Petro anunciou em uma publicação de 4.500 palavras nas redes sociais que iniciaria o processo de transição com o presidente eleito. Petro expressou que se sentia como se estivesse entregando a espada de Simón Bolívar “a um vice-rei”, em alusão ao apoio de Trump a De la Espriella.

De la Espriella, que tomará posse em 7 de agosto, anunciou que a Colômbia se juntará à iniciativa “Escudo das Américas”, um projeto apoiado por Trump que reúne governos de extrema-direita na região, que agora dominam amplamente a América Latina. Ele prometeu um combate rigoroso ao narcoterrorismo e a retomada de uma ofensiva militar completa contra o conflito armado que assola o país há décadas.