A Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira (8.jul.2026), um requerimento que convoca o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre sua declaração referente ao risco de uma ação militar dos Estados Unidos em território brasileiro.
O requerimento foi apresentado pelo deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) na terça-feira (7.jul) e justifica a convocação como uma necessidade de esclarecimentos sobre a resposta enviada ao Congresso pelo ministro após um pedido de informações. A convocação implica que o ministro é obrigado a comparecer à comissão, embora a data ainda não tenha sido definida.
No documento, Vieira alertou sobre a possibilidade de uma intervenção militar norte-americana no Brasil, em decorrência da decisão do governo de Donald Trump de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O Itamaraty, no entanto, não explicou como chegou a essa conclusão.
O deputado Evair de Melo criticou a resposta do Itamaraty, apontando que a declaração de Vieira se limitou a considerações genéricas sobre a posição institucional do governo, sem esclarecer aspectos essenciais para “o exercício do controle parlamentar”.
“Causa preocupação que a resposta oficial do governo concentre grande parte de sua argumentação na defesa abstrata da soberania nacional”, afirmou Melo no requerimento.
No documento encaminhado à Câmara, o Itamaraty informou que manifestou sua posição às autoridades norte-americanas, mas não especificou quando essas comunicações ocorreram, quais autoridades estiveram envolvidas, quais canais diplomáticos foram utilizados, qual foi o conteúdo das manifestações brasileiras e quais providências concretas resultaram dessas interlocuções.
Convite do Senado
Na mesma terça-feira (7.jul), a Comissão de Relações Exteriores do Senado também aprovou um convite para ouvir Mauro Vieira. A iniciativa partiu do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
“Eu gostaria de ouvir de onde ele tirou dados para uma afirmação dessa gravidade. Apesar das intervenções militares recentes, chama a atenção face à relação que temos com os EUA, inclusive na área militar”, disse Mourão.
Assim como na Câmara, não há data definida para a reunião, mas, ao contrário da convocação, o convite pode ser recusado pelo ministro.
EUA negam ação militar
Os Estados Unidos rejeitaram a avaliação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. O Departamento de Estado dos EUA negou categoricamente a possibilidade de uma ação militar norte-americana no Brasil.
A porta-voz em língua portuguesa do Departamento de Estado, Amanda Roberson, declarou ao Poder360 em 1º de junho de 2026 que “a lei americana das designações é muito clara: não contempla nenhum tipo de ação militar. É o Departamento de Guerra que tem responsabilidade para ações militares no mundo. Essas designações têm como os seus princípios as suas consequências, restrições de vistos e também restrições financeiras para bloquear as atividades e o apoio aos grupos criminosos”.
Em resposta a um pedido feito pelo Poder360, o governo dos EUA classificou a avaliação do Itamaraty como “absurda” e acrescentou que “os Estados Unidos estão adotando medidas decisivas, com base em suas próprias prerrogativas soberanas, para combater narcoterroristas”.
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