O governo dos Estados Unidos reagiu à decisão do Brasil de permitir que Sergey Vladimirovich Cherkasov, identificado como espião russo, deixe o país e retorne à Rússia. A declaração foi feita por um porta-voz do Departamento de Estado americano nesta quarta-feira (8).
De acordo com o comunicado, os EUA estão "profundamente preocupados" com a medida, que, segundo eles, enfraquece o compromisso conjunto de combater interferências estrangeiras. "Essa decisão enfraquece nosso compromisso conjunto de combater interferências estrangeiras e proteger a integridade de nossas instituições democráticas", afirmou o Departamento de Estado.
Além disso, o governo americano solicitou que o Brasil considere o precedente que será criado por essa decisão e sugere que trabalhe junto com Washington para responsabilizar aqueles que, segundo os EUA, "ameaçam nossa segurança coletiva".
Decisão brasileira e contexto jurídico
A decisão de permitir a saída de Cherkasov foi publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira (6). O governo brasileiro determinou a expulsão do espião, mas a medida só poderá ser cumprida após o término da pena que ele cumpre no Brasil ou se houver uma liberação antecipada pela Justiça. Cherkasov está preso desde 2022 em uma penitenciária federal em Brasília, onde cumpre uma pena de cinco anos por falsidade ideológica.
Ele é considerado pela Polícia Federal e pelo FBI como um agente de inteligência da Rússia que utilizava uma identidade falsa brasileira para atuar no exterior, tendo vivido por 12 anos como brasileiro. Apesar das acusações, não foram encontradas evidências de que Cherkasov tenha atuado como espião contra o Brasil, com seu foco voltado para os Estados Unidos e países europeus. Ele nega as acusações e afirma não ser um espião a serviço do governo russo.
Disputa diplomática entre EUA e Rússia
A disputa em torno de Cherkasov teve início oficialmente em agosto de 2022, quando a Rússia solicitou sua extradição ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que ele era procurado por tráfico de drogas. No entanto, essa versão foi contestada pelos EUA e autoridades brasileiras, que suspeitavam que a acusação tinha como objetivo repatriar um suposto espião.
Em março de 2023, o Departamento de Justiça dos EUA apresentou uma acusação criminal contra Cherkasov, alegando que ele era um agente do serviço de inteligência militar russo, o GRU. Segundo as investigações, ele teria utilizado a identidade falsa de Victor Muller Ferreira para se infiltrar em instituições acadêmicas e políticas nos Estados Unidos.
O caso evoluiu com pedidos de extradição tanto dos Estados Unidos quanto da Rússia, mas a Justiça brasileira negou a solicitação americana em julho de 2023, argumentando que havia um pedido de extradição da Rússia já homologado. O processo se tornou ainda mais complexo com a decisão do governo brasileiro de permitir o retorno de Cherkasov à Rússia, encerrando um capítulo peculiar nas relações entre Brasil, Rússia e Estados Unidos.
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