O Banco da Inglaterra comunicou que, a partir de outubro, não aceitará mais títulos vinculados à indústria do carvão térmico como garantia para empréstimos. A decisão, celebrada por ativistas climáticos, representa uma ação significativa contra uma das fontes de energia mais poluentes do mundo.

Contexto e Importância da Decisão

O carvão térmico, utilizado em usinas para geração de eletricidade, tem sido um alvo constante de críticas por sua contribuição às emissões de gases de efeito estufa. Com a nova política, o Banco da Inglaterra sinaliza que considera esses títulos como muito arriscados para manter em seu balanço, especialmente diante de uma tendência global de transição para fontes de energia mais limpas.

“É um forte sinal de um banco central para o mercado”, declarou Ellie McLaughlin, gerente sênior de políticas do grupo de advocacy Positive Money. O banco central frequentemente concede empréstimos a instituições financeiras, como Barclays, Lloyds, NatWest e HSBC, que, por sua vez, precisam apresentar garantias, geralmente na forma de títulos.

Restrições no Setor Financeiro

De acordo com dados da organização sem fins lucrativos Reclaim Finance, cerca de 150 das maiores instituições financeiras do mundo já impõem restrições à sua atuação com a indústria do carvão térmico. Os ativistas esperam que a nova política do Banco da Inglaterra incentive os bancos comerciais a reavaliar a manutenção de ativos vinculados ao carvão térmico em seus balanços.

No comunicado oficial, o Banco da Inglaterra destacou que as empresas do setor de carvão térmico estão expostas a riscos financeiros associados à transição econômica para uma economia de emissões líquidas zero. Além disso, a instituição indicou que também irá desvalorizar títulos em outros setores relevantes para proteger-se contra riscos financeiros.

Comparação com Outras Instituições

A política do Banco da Inglaterra é mais rigorosa do que as adotadas pela maioria de seus pares ocidentais, incluindo o Banco Central Europeu. No entanto, a divulgação da nova política foi discreta, com a informação sendo publicada em seu site no início de junho, sem grande alarde.

“O Banco da Inglaterra tem sido menos vocal sobre essa questão e seu trabalho mais amplo em clima nos últimos anos, por várias razões”, comentou McLaughlin. A mudança ocorre em um contexto de resistência liderada pelos EUA às políticas verdes, que têm levado muitas empresas financeiras a recuar em suas metas climáticas desde o retorno de Donald Trump à presidência.

A eficácia da nova política do Banco da Inglaterra dependerá dos detalhes de sua implementação. “Ainda não vimos como o Banco calculará os cortes para considerar os riscos climáticos, e as exclusões deveriam se estender além do carvão térmico para cobrir todas as atividades sempre prejudiciais”, acrescentou McLaughlin, mencionando a expansão de combustíveis fósseis e o desmatamento como áreas que merecem atenção.

Embora significativa, a nova política deixa em aberto muitas questões sobre o compromisso do Banco da Inglaterra em avançar na luta contra as mudanças climáticas.