Pesquisadores abordaram a conexão entre a doença de Alzheimer e o conceito de sindemia durante a Conferência Internacional da Alzheimer's Association (AAIC 2026), realizada em Londres. O termo sindemia descreve a interação de múltiplas condições de saúde, onde uma doença pode potencializar a outra, especialmente quando amplificadas por fatores sociais, culturais e econômicos.

Tradicionalmente, o Alzheimer é associado ao acúmulo de placas beta-amiloides e proteínas tau no cérebro. No entanto, exames pós-morte revelam que outros problemas, como microinfartos e acúmulo de gordura cerebral, também desempenham um papel significativo. A compreensão ampliada da doença levou os especialistas a considerar variáveis como educação, pobreza e condições de vida que impactam a saúde cognitiva.

Desigualdades e o risco de Alzheimer nas mulheres

Estima-se que dois terços dos pacientes com Alzheimer sejam mulheres. Nesse contexto, o painel “Abordando as Diferenças de Gênero/Sexo no Complexo Problema da Demência” analisou como fatores como educação, hormônios, sono e oportunidades limitadas afetam a reserva cognitiva. A professora Beth Shaaban, da Universidade de Pittsburgh, questionou a eficácia de focar apenas na redução da proteína amiloide, ressaltando a influência de fatores como migrações, guerras e desigualdades sociais, que podem levar ao estresse e ao envelhecimento biológico, aumentando assim o risco de demência.

Exemplos práticos incluem crianças que, expostas a infecções na infância, podem ter dificuldades de aprendizado, e mulheres que sofrem violência de gênero, apresentando risco maior de desenvolver demência. Distúrbios de sono, comuns após a perimenopausa, também são considerados um fator de risco modificável.

Iniciativas de prevenção na América Latina

A “Iniciativa Latino-Americana para Intervenção no Estilo de Vida para Prevenir o Declínio Cognitivo” (LatAm-FINGERS) demonstrou que intervenções adaptadas à cultura local podem melhorar a função cognitiva em idosos em risco de demência. Em um estudo envolvendo 1.065 participantes de 12 países, constatou-se que programas de atividade física e aconselhamento nutricional, adaptados às tradições alimentares regionais, mostraram resultados positivos significativos.

Os participantes do grupo que recebeu mentoria e suporte contínuos apresentaram melhorias cognitivas superiores em comparação com aqueles que tiveram apenas educação em saúde. Os resultados ressaltam a importância de abordar múltiplos fatores de risco simultaneamente, especialmente em países de baixa e média renda, onde as taxas de demência estão aumentando.

O Dia Mundial do Cérebro, comemorado em 22 de julho, destaca a relevância de tais estudos e iniciativas na luta contra a demência.