Josué Montello, em seu Diário Completo (Nova Aguilar, volume 1, páginas 1349-1352), relata o episódio da disputa entre o ex-presidente Juscelino Kubitschek e o escritor Bernardo Élis, em 1975, que levou o autor de “O Tronco” à Cadeira n° 1 da Academia Brasileira de Letras. Foi uma apertada eleição, só decidida no terceiro escrutínio, com 20 votos para Bernardo Élis e 18 para JK. No afã de defender a candidatura do ex-presidente, Josué Montello contribuiu para estigmatizar a postulação de Bernardo Élis, atribuindo a ela uma suposta ajuda do general Golbery do Couto e Silva.
Essa ajuda nunca foi comprovada. A hipótese é inverossímil, já que Bernardo Élis — um dos fundadores do Partido Comunista em Goiás — foi permanentemente perseguido pela ditadura civil-militar: expulso de sua cátedra na Universidade Federal de Goiás; aposentado compulsoriamente do cargo de professor da Escola Técnica Federal de Goiás; e vigiado por mais de dez anos pelo SNI, conforme arquivos disponíveis no sian.an.gov.br, que publiquei no artigo “Bernardo Élis: um imortal da ABL e o estigma de sua desconstrução ideológica” (Revista do IHGG, n° 36, páginas 128-148). Livro de Josué Montello | Foto: Nilson Jaime/2026 As alegações de Montello soam como ilações, a fim de relativizar a derrota de seu amigo JK.
Juscelino Kubitsche teria dito, após o pleito: “Agora sei, por experiência própria, que é mais fácil ser eleito presidente da República”.
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