O Zimbabwe está prestes a modificar sua constituição, permitindo ao presidente Emmerson Mnangagwa um tempo maior no poder. O Senado do país aprovou, na última quarta-feira, com 75 votos a favor e 4 contrários, uma emenda que estende os mandatos presidenciais de cinco para sete anos. O projeto de lei já havia sido aprovado pela câmara baixa na semana anterior e deverá ser assinado pelo presidente em breve.

As alterações propostas também substituem as eleições diretas para a presidência pela nomeação do presidente pelo parlamento, o que gerou preocupações entre opositores. Eles temem que as mudanças fortaleçam ainda mais o controle de Mnangagwa e do seu partido, o Zanu-PF, que está no poder desde a independência do Zimbabwe em 1980.

Mnangagwa, conhecido como “o Crocodilo”, foi reeleito em 2023 com 52,6% dos votos, em meio a críticas sobre a lisura do processo eleitoral. Oposição e críticos temem que o país retorne a um cenário de repressão semelhante ao de Robert Mugabe, que renunciou em 2017 após 37 anos no poder.

Reações e Controvérsias

Makomborero Haruzivishe, porta-voz do Fórum dos Defensores da Constituição, classificou as mudanças como um “golpe constitucional calculado”. Em resposta, Nick Mangwana, secretário permanente do ministério da Informação, defendeu as emendas como uma maneira de promover a estabilidade política e negou que fosse necessário um referendo para sua aprovação.

Além disso, opositores alegam serem alvo de assédio e impedidos de se manifestar. Tendai Biti, um dos líderes do CDF, denunciou que a segurança do governo invadiu seu escritório em diversas ocasiões. Também houve relatos de agressões a críticos das reformas, como o advogado Lovemore Madhuku.

A situação política no Zimbabwe é complexa e marcada por uma história de isolamento internacional e crises econômicas. A administração de Mnangagwa, que foi alvo de sanções dos Estados Unidos por corrupção, é vista por muitos como uma continuidade do regime de Mugabe.