Pesquisadores da Universidade de Calgary estão explorando o potencial da vitamina B3, ou niacina, como um tratamento auxiliar para pacientes diagnosticados com glioblastoma, um dos cânceres cerebrais mais agressivos e mortais. O estudo, que já apresenta resultados iniciais promissores, visa verificar se doses elevadas de niacina podem melhorar a função das células imunológicas que os tumores inibem.
Edward Waldner, de 55 anos, foi diagnosticado com glioblastoma após apresentar sintomas como fadiga constante e dificuldades na coordenação motora. Em busca de tratamento, ele se tornou participante do estudo. “Participar dessa pesquisa ajuda não só a mim, mas também a outras pessoas. Sinto que estamos fazendo algo”, afirmou Waldner.
A pesquisa é liderada pelos doutores Gloria Roldan Urgoiti e Wee Yong, que fazem parte do Hotchkiss Brain Institute e do Arnie Charbonneau Cancer Institute. Enquanto Roldan Urgoiti é especialista em câncer cerebral, Yong estuda a interação entre o sistema imunológico e o cérebro. Juntos, eles buscam entender se a niacina pode restaurar as funções das células imunológicas prejudicadas pelo glioblastoma.
Resultados iniciais encorajadores
O ensaio clínico teve como objetivo determinar a dose segura mais alta de niacina e avaliar os benefícios do seu uso em conjunto com quimioterapia e radioterapia tradicionais. A equipe estabeleceu um parâmetro: se a sobrevida livre de progressão em seis meses não melhorasse em pelo menos 20% em relação a estudos anteriores, o ensaio seria interrompido.
Os resultados preliminares com 24 pacientes superaram as expectativas, com 82% dos participantes apresentando ausência de progressão da doença após seis meses, representando uma melhora de 28% em comparação a estudos anteriores.
Os achados foram publicados no Journal of Neuro-Oncology e ressaltam a importância de monitorar cuidadosamente doses elevadas de vitaminas, já que podem ser tóxicas se não supervisionadas por profissionais de saúde. O estudo seguirá com o objetivo de concluir a análise final após a inclusão de 48 participantes até o final de 2026.
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