A violência política de gênero tem se consolidado como um dos maiores obstáculos à plena participação das mulheres na vida pública brasileira. Mais do que episódios isolados, ela revela uma estrutura que limita o exercício dos direitos políticos e compromete a democracia.
Especialista analisa impactos
A advogada Júlia Matos, especialista em Direito Eleitoral, ao Jornal Opção, destacou os desafios enfrentados pelas mulheres que decidem disputar eleições ou permanecer em mandatos.
“A violência política de gênero produz um efeito que vai muito além do episódio isolado. Ela cria um ambiente de insegurança e de desestímulo à participação feminina na política. Quando uma mulher é constrangida, deslegitimada, ameaçada ou atacada justamente por ocupar um espaço de poder, transmite-se a mensagem de que aquele espaço não lhe pertence”, disse.
A especialista acrescentou que isso pode interferir tanto na decisão de disputar uma eleição quanto na permanência em um mandato. “O problema, portanto, não atinge apenas a vítima diretamente envolvida, mas também outras mulheres que observam esses episódios e passam a considerar o custo pessoal e profissional da participação política. No fim, a violência política de gênero compromete a própria democracia, porque reduz a pluralidade de pessoas dispostas a ocupar os espaços de decisão”, apontou.
Elas lembraram um episódio emblemático ocorrido em Goiás. “Um caso bastante emblemático em Goiás foi o da vereadora Camila Rosa, de Aparecida de Goiânia, que, em fevereiro de 2022, teve seu microfone cortado durante uma discussão em plenário sobre a participação feminina na política. O caso é particularmente importante porque demonstra que a violência política de gênero não precisa assumir a forma de uma ameaça física para restringir o exercício do mandato”, apontou.
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