EUA anunciam sobretaxa de 12,5% para o Brasil Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a imposição de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. Com a medida, a carga tarifária incidente sobre alguns itens exportados pelo Brasil pode chegar a 37,5%, considerando também as tarifas anunciadas na semana passada. A justificativa para a nova cobrança envolve um dos temas mais sensíveis do comércio global: a escravidão moderna.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo os EUA, o Brasil não teria medidas suficientes para impedir a entrada desse tipo de produto em sua cadeia de importação. Outros 58 países e a União Europeia também foram taxados.
➡️ Mas será que a medida apresentada pelos americanos representa uma nova etapa do combate internacional ao trabalho forçado? Ou utiliza uma causa humanitária para justificar uma estratégia de política comercial e geopolítica? (Saiba o que está por trás) Essa dúvida surge porque, ao mesmo tempo em que o governo americano afirma querer impedir que produtos associados ao trabalho escravo circulem nas cadeias globais de abastecimento, diversos elementos da própria investigação apontam em outra direção.
Especialistas em comércio internacional observam que a investigação americana foi concluída sem apresentar casos concretos de produtos brasileiros produzidos com trabalho forçado que tenham sido identificados no mercado dos EUA. Além disso, analistas chamam atenção para um detalhe relevante: setores historicamente associados a um maior número de resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão no Brasil, como a pecuária e a cafeicultura, ficaram fora das principais sobretaxas anunciadas pelos EUA. Veja os principais itens isentos da nova tarifa de até 12,5% A ofensiva comercial ocorre em um momento estratégico para Washington, segundo especialistas.
A investigação foi aberta poucos meses depois de o governo americano enfrentar derrotas na Justiça relacionadas à política tarifária e faz parte de um movimento mais amplo: proteger a indústria dos EUA, reorganizar cadeias produtivas e ampliar a pressão sobre parceiros comerciais. Para alguns analistas, a medida também está ligada à disputa econômica com a China. Nesse contexto, a regra sobre trabalho forçado serviria ainda para expandir globalmente critérios que os americanos já utilizam para restringir mercadorias vinculadas a determinadas regiões chinesas.
"Se o modelo americano virar padrão, os EUA obrigam terceiros a adotar mecanismos equivalentes ao Uyghur Act. Na prática, é forçar Brasil e outros a bloquear componente chinês. É extraterritorialidade regulatória.
Trabalho forçado é o instrumento, contenção da China é o objetivo", afirma Thiago de Aragão, CEO da Arko International. Isso não significa que o problema apontado na investigação não exista. ⚠️ Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 28 milhões de pessoas vivem atualmente em situação de trabalho forçado em todo o mundo.
O debate, portanto, não está centrado na existência do problema, mas na forma escolhida para enfrentá-lo. Representantes da OIT, integrantes do Ministério Público do Trabalho (MPT) e autoridades brasileiras questionam a eficácia, a coerência e até mesmo os reais objetivos da medida.
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