Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) divulgou nota na tarde desta quarta-feira (22) em que afirma que a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32), aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em 14 de julho, foi precedida por um amplo processo de avaliação técnica, conduzido em conformidade com a Lei do Combustível do Futuro e fundamentado em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia. A resposta do setor vem após o anúncio, também desta quarta, de que o Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública , com pedido de liminar, para suspender a decisão, alegando justamente a carência de estudos técnicos comprobatórios da segurança do novo combustível para os veículos que circulam no país. Segundo a Unica, a decisão de aumentar o volume de biocombustível na gasolina não decorreu de uma “presunção de viabilidade, mas de ensaios especificamente estruturados para avaliar os efeitos da utilização do E32 na frota brasileira”.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo : siga o Canal Rural no Google News! A entidade reforça que tais estudos foram executados pelo Instituto Mauá de Tecnologia e concentraram-se em veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, justamente por representarem a parcela da frota potencialmente mais sensível ao aumento da participação do etanol. De acordo com a União, a metodologia e os protocolos dos ensaios foram definidos de forma colegiada, com a participação de representantes do governo federal, da indústria automotiva, do segmento de motocicletas, da cadeia de combustíveis, da academia e de entidades do setor produtivo, por meio de reuniões e audiência pública.

“Ao todo, foram avaliados 16 veículos leves e 13 motocicletas representativos da frota nacional. Entre os automóveis, a amostra contemplou modelos fabricados entre 1994 e 2024, todos movidos exclusivamente a gasolina. Os ensaios analisaram parâmetros como desempenho, consumo, partida a frio, dirigibilidade, aceleração e funcionamento dos sistemas eletrônicos de gerenciamento do motor.

Os resultados não identificaram impactos relevantes decorrentes da utilização do E32 nos veículos avaliados”, diz a nota, sem informar, contudo, o que considera como “impactos relevantes”. Conforme a Unica, tais estudos forneceram o embasamento técnico necessário para a deliberação do CNPE, “não havendo autorização para a adoção de percentuais superiores ao teor nominal estabelecido”, diz a nota. Para a entidade, o E32 representa uma escolha econômica, energética e ambientalmente racional ao substituir parte de uma gasolina fóssil, importada e mais cara por etanol produzido no Brasil, de menor intensidade de carbono e cuja compatibilidade com a frota avaliada foi tecnicamente demonstrada.

Por fim, a Unica pontua que a medida reduz a exposição do país às oscilações do mercado internacional de petróleo, mantém renda, investimentos e empregos na economia brasileira e amplia a participação de uma solução renovável na matriz de transportes, que já utiliza mistura de etanol na gasolina desde 1931.