Lorena Laya, de 24 anos, mudou-se para La Guaira em busca de seu pai, madrasta e irmãos após dois terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho. Desde então, ela tem ficado ao lado de uma escavadeira que remove os escombros do edifício OPP 27, onde sua família morava.

"Estamos aqui desde que a máquina liga até que ela desliga", relata Lorena, que se abriga sob uma árvore enquanto espera que as operações de busca avancem. Ela compartilha a esperança de encontrar mais sobreviventes com outros familiares de desaparecidos que também aguardam notícias.

Desastres passados e a luta atual

A história da família de Lorena é marcada por tragédias. Em dezembro de 1999, durante o Deslizamento de Vargas, a casa de sua família paterna não foi afetada, mas a de sua madrasta, Nohelia Iriarte, foi soterrada. O desastre causou a morte de milhares de pessoas e deixou muitos desabrigados, incluindo os Iriarte, que receberam apartamentos do programa de habitação do governo.

Nohelia, de 45 anos, morava com seu marido, Henry Laya, de 55 anos, e seus filhos Diego, de 14 anos, e Giannys, de 6 anos, no OPP 27, que desabou durante os recentes terremotos. A última vez que Lorena falou com sua madrasta foi antes do desastre, quando a família planejava participar de uma festividade local.

Buscas desesperadas e a realidade dos desaparecidos

Após o terremoto, Lorena percorreu hospitais e necrotérios em busca de seus familiares. Em um momento angustiante, ela foi ao Hospital José María Vargas e se deparou com corpos empilhados, uma experiência que a traumatizou. Determinada a encontrá-los, ela começou a escavar os escombros do OPP 27 com as próprias mãos.

Após dias de busca, Lorena conseguiu recuperar os corpos de sua madrasta e de sua irmã mais nova, Giannys, no dia 10 de julho, 16 dias após os terremotos. "Quero falar da minha irmãzinha no presente porque ela sempre será minha 'negrita', mesmo que já não esteja conosco neste plano", diz Lorena, emocionada.

Os esforços de busca têm sido complicados pela falta de equipamentos adequados. Apesar de alguns avanços, a escavadeira que atuava na remoção dos escombros parou devido à necessidade de reparos. O boletim oficial mais recente indica que 4.930 pessoas morreram e 17.907 perderam suas moradias devido aos terremotos, com as Nações Unidas estimando 50 mil desaparecidos.