No Norte do Espírito Santo, apicultores têm encontrado nas áreas de preservação ambiental uma oportunidade para gerar renda e consolidar Aracruz como um dos principais polos produtores de mel do estado. A ação ocorre em parceria com uma indústria de celulose, por meio do programa Apicultura Sustentável, que visa fortalecer a cadeia produtiva do mel.

Lançado em 2005 no Brasil e em 2014 no Espírito Santo, o programa fornece suporte técnico e administrativo, além de promover a organização e gestão de associações de apicultores. Atualmente, seis associações estão envolvidas, totalizando 1.170 colmeias que produzem, em média, 35 kg de mel por colheita, realizada duas vezes ao ano, resultando em cerca de 40,9 toneladas de mel.

Oportunidade em áreas protegidas

Sebastião Grazziotti, apicultor com mais de 50 anos de experiência, mantém aproximadamente 30 apiários, com 20 colmeias em cada um, dentro das áreas de mata. Ele acredita que a preservação ambiental é essencial para a produção de mel. “A preservação aqui é bem cuidada. É o único lugar que a gente encontra uma preservação cuidada, com bastante recursos naturais, porque outras áreas não têm”, afirmou.

Segundo Domingos Alburghetti, outro apicultor, a falta de espaço para a criação de abelhas é um desafio enfrentado por muitos produtores. Ele destaca que, ao utilizar áreas de preservação, as colmeias têm acesso a alimento em abundância, facilitando sua subsistência.

Capacitação e apoio aos apicultores

O programa Apicultura Sustentável também se dedica à capacitação dos apicultores. Rafaela Cavalcanti, consultora de desenvolvimento social, ressaltou a importância da profissionalização para a comercialização do mel. “Nós trabalhamos com eles a questão para tirar a carteirinha de apicultor, que é extremamente importante para a profissionalização e para que eles possam comercializar o produto com maior segurança”, explicou.

A meliponicultura, a prática de criar abelhas sem ferrão, também é incentivada, contribuindo para a preservação do meio ambiente. Alburghetti enfatizou que as abelhas desempenham um papel crucial na biodiversidade, realizando a polinização de diversas espécies. “As abelhas prestam um serviço que não tem preço para toda a humanidade, por todo o planeta”, afirmou.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Espírito Santo produziu 846 mil quilos de mel em 2024, um aumento de 55% em relação a 2016. O valor da produção também cresceu, subindo de R$ 6,2 milhões em 2016 para R$ 12,3 milhões em 2024. Aracruz se destaca, respondendo por 10,6% da produção do estado, seguida por Fundão e Marechal Floriano.