A utilização de grãos e coprodutos na nutrição de bovinos de corte é uma prática essencial para acelerar o ganho de peso e encurtar o ciclo de terminação. No entanto, o surgimento de claudicações e crescimento anormal dos cascos em lotes suplementados frequentemente levanta dúvidas sobre a segurança dos ingredientes.

Esclarecimento sobre a soja

Conforme explicou o especialista, trata-se de um mito: o uso de farelo de soja ou grão de soja na dieta não possui qualquer correlação direta — seja química ou biológica — com o crescimento excessivo ou a deformação das unhas dos bovinos. O que ocorre nesses cenários é um quadro de laminite, provocado por falhas na formulação e no manejo da Ração Total Misturada (TMR), e não pela presença da leguminosa em si.

A causa real do problema nos cascos reside na acidose ruminal subaguda ou crônica. Quando o animal consome uma proporção de alimento concentrado superior à sua capacidade de ingestão de fibra bruta/volumoso, ocorre uma queda brusca e prolongada do pH no rúmen.

Recomendações para pecuaristas

Se a dieta de terminação com alto teor de amido e proteína não estiver equilibrada e munida de aditivos tamponantes, como bicarbonato de sódio e óxido de magnésio, as toxinas geradas pela acidose atingem a circulação sanguínea periférica, causando inflamações severas nos tecidos vasculares dos pés.

O desenvolvimento de lesões podais em animais mantidos em confinamento ou suplementação intensiva gera prejuízos financeiros diretos para o pecuarista. Para evitar que a acidose ruminal e a laminite afetem o rebanho, Felipini recomenda que o produtor consulte um zootecnista para ajustar a relação volumoso/concentrado.

A inclusão de aditivos tampões e o respeito ao período de adaptação aos grãos garantem que a soja expresse todo o seu potencial de aporte proteico sem comprometer a sanidade podal e a rentabilidade do projeto de engorda.