Começou a valer nesta quinta-feira (3) a suspensão do Brasil da lista de exportadores de produtos de origem animal para a União Europeia. Enquanto há sinalizações de que o bloqueio à carne de aves, aos ovos e ao mel está perto de ser resolvido, a proteína bovina encontra obstáculos mais difíceis de superar.
O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias considera 'muito difícil' o Brasil conseguir reverter esse impedimento no curto prazo porque as autoridades europeias se mostraram, ao longo das negociações, bastante irredutíveis em relação à questão do uso de antimicrobianos na produção pecuária brasileira.
Como o ciclo da bovinocultura é mais longo em relação à cadeia avícola, teremos, no mínimo, dois anos de ausência da Europa nas compras de carne bovina brasileira, considera Iglesias.
Além disso, em termos de padrão de produto comprado pelo mercado europeu (cortes nobres e desossados da parte traseira do animal), Iglesias ressalta que o Brasil dificilmente conseguirá substitui-lo por outros compradores.
Antimicrobianos são substituíveis?
Como pano de fundo da suspensão europeia à carne bovina do Brasil estão o uso de antimicrobianos. O problema apontado pelo bloco é que o sistema brasileiro não teria apresentado garantias suficientes de que, ao longo de toda a cadeia, são cumpridas as regras europeias sobre o uso dessas substâncias.
No gado de corte, os antimicrobianos são medicamentos usados principalmente para tratar ou controlar doenças causadas por bactérias, como infecções respiratórias e digestivas. Diante da impossibilidade de uso no animal que gera a carne para a União Europeia, existem duas alternativas: adoção de outros produtos ou segmentação do rebanho. Ambas têm empecilhos.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.