A sonda Tianwen-2, da Administração Nacional do Espaço da China, alcançou com sucesso o asteroide Kamo’oalewa, que orbita o Sol em uma trajetória quase idêntica à da Terra. Após realizar múltiplos ajustes orbitais no espaço profundo, a sonda detectou Kamo’oalewa pela primeira vez em 6 de junho de 2026 e, em 2 de julho, capturou imagens do asteroide a cerca de 20 quilômetros de distância. Essa conquista vem após uma jornada de 400 dias, cobrindo uma distância aproximada de 1 bilhão de quilômetros.

Características do Kamo’oalewa e desafios da missão

Kamo’oalewa é considerado o mais estável dos quasi-satélites conhecidos da Terra e, por orbitar o Sol em movimento quase sincrônico com o planeta, é visto como um corpo celeste relativamente acessível. No entanto, pousar na superfície do asteroide e coletar amostras representa um desafio significativo. Com um diâmetro médio de apenas 41 metros e uma rotação rápida, a sonda precisa estabelecer um contato estável e realizar a coleta de amostras em um curto período.

Se a coleta de amostras for bem-sucedida, a sonda planeja liberar essas amostras em cápsulas durante um sobrevoo da Terra em novembro de 2027. A Tianwen-2 é equipada com diversas câmeras de diferentes distâncias focais, podendo alternar entre uma câmera de campo de visão estreito e uma de campo de visão amplo, além de contar com uma câmera destacável para a coleta de amostras. A orientação da sonda deve ser ajustada de forma precisa durante a captura de imagens, o que torna essa tarefa extremamente desafiadora.

Importância científica e teorias sobre a origem do asteroide

Se a missão for bem-sucedida, representará mais um avanço na devolução de amostras de asteroides, seguindo os passos das missões Hayabusa e Hayabusa2 do Japão, que foram as primeiras a trazer amostras de asteroides para a Terra, além da missão OSIRIS-REx da NASA. Materiais provenientes de pequenos corpos celestes próximos à Terra podem fornecer pistas valiosas sobre a formação do sistema solar, incluindo Kamo’oalewa.

Segundo Han Siyuan, vice-diretor do Centro de Engenharia de Exploração Lunar e Espacial e porta-voz da missão Tianwen-2, “é altamente provável que contenha informações primordiais dos primeiros dias da formação do sistema solar, possuindo grande valor científico para o estudo da composição material primitiva, processos de formação e história evolutiva”.

Pesquisadores anteriormente teorizavam que Kamo’oalewa era um fragmento da Lua, resultado de um impacto de asteroide há milhões de anos, baseando-se na semelhança do espectro da luz refletida com o dos minerais silicatados encontrados na superfície lunar. Contudo, um estudo internacional publicado em maio por uma equipe que inclui a Academia Chinesa de Ciências questionou essa hipótese. Uma reanálise de dados disponíveis indicou que a largura central da banda de absorção correspondia às características dos condritos LL, um tipo de meteorito com baixo teor de ferro e metal.

Os pesquisadores simularam o desgaste espacial em pó de meteorito condrito LL com um laser, obtendo resultados que se aproximavam dos dados observacionais de Kamo’oalewa. Eles sugerem que o asteroide provavelmente migrou para a proximidade da Terra a partir da família Flora, um grupo de corpos celestes no cinturão de asteroides.

Se a Tianwen-2 completar com sucesso sua missão de coleta de amostras e retornar à Terra, poderá ajudar a responder questões sobre a origem de Kamo’oalewa, mas, para isso, precisa primeiro alcançar a superfície do asteroide.