Na manhã de quinta-feira, Billy Ebrin partiu em busca de corpos após uma noite angustiante em seu carro, temendo retornar ao seu apartamento no sétimo andar em Caracas. Ele foi acordado por um alarmante alerta em seu celular, seguido por um forte tremor que fez o prédio balançar violentamente.

“Achei que ia morrer. Ouvi pedaços de concreto se desprendendo das paredes”, relatou Ebrin. Na quarta-feira, dois terremotos consecutivos, com magnitudes de 7.2 e 7.5, atingiram a Venezuela, provocando pânico e a fuga apressada de centenas de pessoas de seus lares.

Após o tremor, muitos moradores passaram a noite nas ruas ou dentro de seus carros, temendo entrar em prédios que poderiam desabar. A situação é crítica especialmente no estado de La Guaira, onde diversos edifícios ruíram. O número de mortos já ultrapassa 188, segundo a Assembleia Nacional, mas especialistas apontam que o total pode ser muito maior.

A presidente interina Delcy Rodriguez pediu ajuda à comunidade internacional e ao setor privado, enquanto países como Equador, República Dominicana e Estados Unidos ofereceram suporte. “Temos um objetivo central: salvar vidas”, afirmou Rodriguez nas redes sociais.

Apesar das dificuldades de comunicação, com muitas linhas telefônicas e eletricidade fora de operação, a pressão por informações levou à flexibilização das restrições nas redes sociais, que haviam sido impostas após as eleições de 2024.

Busca por desaparecidos e avaliação de danos

Enquanto muitos ainda procuram por familiares desaparecidos, outros se consideram sortudos por terem escapado com ferimentos leves. As escolas foram fechadas e o transporte público suspenso, com algumas delas sendo utilizadas como centros de emergência.

A atenção agora se volta para a avaliação dos danos, com engenheiros investigando a vulnerabilidade de algumas construções. Jesus Vasquez, engenheiro civil, destacou que os edifícios mais antigos e mal projetados foram os mais afetados, e a situação atual poderia ter sido menos severa.