Uma severa onda de calor que atinge a França colocou em evidência os sérios problemas estruturais do sistema prisional do país, que já sofre com a superlotação crônica. Detentos estão sendo alojados em celas projetadas para um único preso, mas que abrigam de três a quatro indivíduos, criando condições insuportáveis.
Com temperaturas chegando a 40°C, o calor penetra nas prisões através de paredes de concreto e tubulações, tornando o ambiente insuportável. André Ferragne, secretário-geral da Inspeção Geral dos Locais de Privação de Liberdade, destacou que as instalações estão mal conservadas e sem isolamento adequado, o que as torna vulneráveis às altas temperaturas. "As construções das prisões não oferecem proteção nem contra o calor nem contra o frio", afirmou.
Os agentes penitenciários também enfrentam as difíceis condições. Wilfried Fonck, do sindicato UFAP-UNSa Justiça, relatou que os funcionários sentem-se como se estivessem "trabalhando em uma chaleira", com temperaturas internas superando 37°C em alguns centros de detenção.
A França possui uma das taxas de superlotação mais altas da Europa, com 88.654 detentos registrados em maio, um aumento de quase 5.000 em um ano. Apenas 750 novas vagas foram criadas no mesmo período, resultando em uma taxa de ocupação de 140%. Nas prisões de transição, a situação é ainda pior, com uma taxa superior a 172%.
Com detentos passando até 22 horas por dia em suas celas, a falta de espaço e ventilação adequada gera um ambiente propício para tensões e conflitos. A ONU e o Conselho da Europa já alertaram sobre as condições desumanas e degradantes enfrentadas pelos presos, que podem violar os direitos humanos.
A necessidade de reforma no sistema prisional francês é urgente, pois as condições atuais não são adequadas para enfrentar as mudanças climáticas e as crescentes temperaturas.
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