Protestos intensificaram-se em Trípoli, capital da Líbia, à medida que cidadãos se mobilizam contra cortes prolongados de energia e tarifas elevadas. A campanha de desobediência civil, que começou em áreas específicas, rapidamente se espalhou por diversos distritos da cidade.
Na noite de domingo, manifestantes bloquearam a estrada costeira em Janzour, a oeste de Trípoli, queimando pneus e fechando vias principais, conforme mostram vídeos divulgados nas redes sociais. Além disso, grupos de jovens fecharam as instalações da operadora estatal de telecomunicações Libyana no distrito de Souq Al-Jumaa, exibindo faixas que criticavam o primeiro-ministro Abdulhamid al-Dabaiba.
Motivações por trás dos protestos
Os protestos foram impulsionados pelo Movimento Souq Al-Jumaa, que se opõe ao Governo de Unidade Nacional desde maio de 2025. O grupo declarou que seu objetivo é “paralisar completamente o governo” sem afetar a vida cotidiana da população. Além disso, exigem responsabilização por corrupção e a dissolução das instituições políticas atuais, incluindo o governo, a Câmara dos Representantes, o Conselho de Estado e o Conselho Presidencial.
A insatisfação popular se manifestou também em Tajoura, onde moradores se reuniram em frente à estação de energia de West Tripoli e bloquearam o prédio do conselho municipal local. A Movimento das Famílias e Juventude de Tajoura anunciou, em um comunicado, que iniciaria um boicote total às instituições estatais a partir de segunda-feira, rejeitando tanto o governo de unidade quanto a Câmara dos Representantes.
Consequências dos cortes de energia
Os protestantes alegam que a deterioração dos serviços públicos, como eletricidade, água, educação e saúde, é resultado da falta de ação governamental, em meio a crises de combustível, liquidez e escassez de medicamentos. Enquanto isso, “os oficiais estão ocupados com conflitos políticos”, afirmaram os manifestantes.
Os cortes de energia em Trípoli e outras áreas têm alcançado até 10 horas diárias ou mais, especialmente durante a onda de calor do verão. A Companhia Geral de Eletricidade, estatal, reimplementou medidas de racionamento após um período de dois anos de relativa estabilidade na rede elétrica.
Esses apagões ampliam a frustração pública já existente em relação à inflação, instabilidade da moeda, escassez de combustível e liquidez, além do prolongado impasse político no país. Em paralelo, Massad Boulos, conselheiro da Casa Branca para assuntos africanos, afirmou ter mantido uma “conversa produtiva” com Dabaiba para discutir passos em direção à unificação da Líbia, incluindo cooperação de segurança entre as facções oriental e ocidental do país.
Boulos também mencionou a revisão de oportunidades para maior coordenação entre as forças líbias e a Africom, reafirmando o compromisso de Washington em apoiar a unificação da Líbia “com o objetivo de alcançar paz, estabilidade e prosperidade duradouras”.
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