No dia 25 de junho de 2026, a polícia anti-distúrbios do Quênia estava em alerta máximo na capital, Nairóbi, marcando dois anos desde que manifestantes da Geração Z invadiram os arredores do Parlamento durante protestos contra um projeto de lei orçamentária de 2024.
Para muitos jovens quenianos, essa data se tornou um símbolo de resistência contra a brutalidade policial, as dificuldades econômicas e o que os ativistas definem como a crescente desconexão entre os líderes e os cidadãos. A insatisfação persiste, com problemas como desemprego juvenil e o aumento do custo de vida ainda em destaque.
“O dia 25 de junho é um lembrete do que este regime representa,” afirmou Faith Njeri, estudante universitária em Nairóbi. “É o momento em que eles perderam a legitimidade perante o povo queniano.”
A importância da lembrança
Ativistas como Brian Otieno ressaltam a relevância dos atos de lembrança. “Estamos aqui para celebrar a vida dos camaradas que morreram… trouxemos flores. O governo deve nos garantir segurança,” declarou.
A ativista Mercy Wanjiru também enfatizou o papel das redes sociais na mobilização dos jovens. “Decidimos mudar nossas fotos de perfil para homenagear os heróis que perdemos,” disse.
Futuro incerto e demandas por justiça
Os protestos de 2024 mudaram a dinâmica de participação política entre os jovens quenianos, que agora se mobilizam ativamente. Beatrice Waithera, líder do Movimento Colete Vermelho, declarou que a falta de liderança centralizada foi uma vantagem estratégica, dificultando a repressão.
Entretanto, as demandas por justiça e responsabilização ainda não foram atendidas. O presidente William Ruto prometeu compensar as famílias das vítimas, mas se esquivou de um pedido de desculpas. “Não há valor monetário que possa compensar as vidas que perdemos,” afirmou Waithera.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.