Uma pessoa chega ao fórum preocupada e sem rumo, sentindo-se injustiçada. Durante muito tempo, a experiência vivida tinha que ser transformada em linguagem juridicamente adequada. Agora, a inteligência artificial começa a penetrar exatamente nesse espaço, e alguns acontecimentos recentes sugerem que a transformação do acesso à Justiça talvez já tenha deixado o território das hipóteses para iniciar, discretamente, o das experiências concretas, tão pouco tempo depois de termos saído dos processos de papel para os digitais [1] .

Divulgação Sede do Conselho Nacional de Justiça Sobre o que chamamos de processos via IA [2] , Singapura oferece um exemplo especialmente interessante, porque escolheu começar onde a necessidade é mais visível, nos Small Claims Tribunals , destinados a demandas de menor valor e nos quais as partes atuam sem advogados; ali, a Justiça de Singapura desenvolveu ferramentas de inteligência artificial generativa, permitindo que pessoas sem representação profissional possam obrar e formular e estruturar a própria pretensão, justamente num ambiente em que a quantidade de casos, a recorrência das necessidades procedimentais e as dificuldades dos jurisdicionados fazem da tecnologia não uma demonstração de modernidade, mas uma possível ferramenta de acesso. Há algo particularmente revelador na escolha desse ponto de partida, porque o próprio Judiciário de Singapura [3] reconhece que os small claims tribunals constituem ambiente adequado para experimentar essas soluções sem representação profissional.