O governo de Donald Trump tem ampliado a pressão sobre processos políticos e eleitorais de outros países, e o caso brasileiro faz parte dessa estratégia, conforme analisa o professor de Relações Internacionais da FGV e pesquisador do Carnegie Endowment, Oliver Stuenkel.

Documentos e pressões

A avaliação ocorre na discussão sobre a lista de 52 exigências enviada pelos Estados Unidos ao Brasil nas negociações para tentar reverter o tarifaço. Entre os itens estava a garantia de que 'dissidentes políticos' pudessem disputar as eleições de 2026. O governo brasileiro rejeitou essa e outras propostas.

Stuenkel afirma que o documento mostra que a política tarifária americana foi usada com objetivos que vão além do comércio. 'O governo Trump utiliza tarifas para atingir metas em áreas não relacionadas ao comércio, utiliza tarifas como ferramenta política', disse.

O professor destaca que o episódio não é isolado e que o que está sendo visto no caso brasileiro faz parte de um projeto que se aplica a toda a América Latina.