A utilização de óculos inteligentes para filmar interações em lojas sem o consentimento dos funcionários tem gerado preocupação entre trabalhadores do varejo. A questão ganhou destaque após um assistente de vendas relatar à BBC que apareceu em um vídeo publicado por Michael Barrymore no TikTok e YouTube sem sua permissão.

Barrymore, um ex-apresentador de televisão famoso nas décadas de 1980 e 1990, frequentemente grava seus passeios e interações com o público por meio de uma câmera embutida em seus óculos inteligentes, que possui milhões de seguidores nas redes sociais. Embora a troca entre ele e o funcionário tenha sido amigável, Jayne Allport, representante do sindicato Usdaw, apontou que outras situações podem ser mais problemáticas e até “aquecidas”, o que representa uma grande preocupação.

Privacidade em locais privados

Embora não haja indícios de que Barrymore ou outros usuários desses dispositivos estejam cometendo delitos, suas ações podem violar leis de proteção de dados. Allport enfatizou que muitos trabalhadores do varejo podem ter razões pessoais para não desejarem que sua ocupação ou localização sejam divulgadas publicamente.

O assistente de vendas, que pediu para permanecer anônimo, comentou que soube da gravação apenas dias depois, quando uma cliente o reconheceu de um vídeo. Ele expressou sua preocupação ao ser identificado sem consentimento, destacando que, se estivesse em uma situação vulnerável, isso poderia ser devastador.

Debate sobre a ética das filmagens

A questão das gravações em lojas privadas levanta um debate mais amplo sobre a ética do uso de tecnologia em interações cotidianas. Allport ressaltou que, em situações onde um cliente insatisfeito grava um funcionário, isso pode ter consequências sérias para a saúde mental dos trabalhadores.

Como sugestão, Allport aconselhou Barrymore a se aproximar dos funcionários antes de filmar e pedir permissão, considerando que muitos poderiam não se opor à gravação, mas que a cortesia de solicitar autorização deve ser respeitada.