Os preços do petróleo registraram uma alta significativa após a Agência Marítima da ONU cancelar um plano de evacuação de navios que estavam presos no Estreito de Ormuz, em decorrência de um ataque a um navio cargueiro nessa importante via marítima.
Na quinta-feira, o petróleo Brent, referência internacional, teve um aumento de até 4% e atingiu o valor de US$ 74,89 por barril. Essa elevação ocorreu após uma queda acentuada nos preços, que chegaram a estar abaixo de US$ 72,48, o patamar de fechamento do dia anterior ao início do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Atualmente, o preço do Brent está cerca de 3% acima do nível anterior ao conflito, após uma queda significativa ocorrida na semana passada, quando os EUA e o Irã assinaram um memorando de entendimento visando o fim das hostilidades.
Impacto nos mercados asiáticos
Os mercados asiáticos abriram em baixa na sexta-feira, com os principais índices no Japão, Coreia do Sul, Hong Kong e Taiwan apresentando perdas acentuadas. O Nikkei 225, em Tóquio, e o Kospi, em Seul, caíram mais de 3%, enquanto o índice Taiex registrou uma queda de aproximadamente 1%.
Consequências do ataque
O ataque no Estreito de Ormuz, onde cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundial transita em tempos de paz, prejudicou as expectativas de normalização do tráfego marítimo na região. Na quarta-feira, 70 embarcações passaram pelo estreito, o que representa um aumento de mais de 100% em relação ao dia anterior e o maior número diário desde 1º de março, conforme dados das plataformas de monitoramento de navios MarineTraffic e Kpler.
O centro de Operações Marítimas do Reino Unido (UKMTO) informou que um navio cargueiro foi atingido por um “projetil desconhecido” enquanto tentava cruzar o estreito próximo à costa de Omã. Vários meios de comunicação, incluindo o The New York Times e a CBS News, citaram fontes não identificadas do governo dos EUA, afirmando que o ataque foi realizado pelo Irã.
A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã, que reivindica o direito de regular a navegação na região, alertou que qualquer embarcação que tentar usar rotas fora de sua “estrutura” designada não terá passagem garantida. “As consequências da passagem por rotas não autorizadas serão de responsabilidade do proprietário, operador e comandante do navio”, declarou a autoridade.
June Goh, analista sênior de mercado de petróleo da Sparta, em Cingapura, ressaltou que o ataque serve como um lembrete da fragilidade da paz na região, no contexto da frágil trégua entre EUA e Irã. “Há uma necessidade urgente de que os petroleiros entrem e descarreguem os altos estoques de petróleo bruto dos tanques onshore para que a produção normal possa ser retomada. Assim, a segurança da passagem é fundamental para recuperar a oferta perdida”, afirmou Goh à Al Jazeera.
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