Os preços do petróleo voltaram a níveis anteriores à guerra após os Estados Unidos e o Irã concordarem em negociar um acordo que inclui a reabertura do Estreito de Ormuz. Com o fluxo de petróleo do Oriente Médio começando a retornar ao mercado, analistas e traders projetam que um excesso global de petróleo possa se estabelecer já em 2027, pressionando ainda mais os preços.

Analistas indicam que os preços podem cair para cerca de US$ 60 por barril, uma expectativa que se reflete também no mercado futuro, onde a maioria dos especuladores se mostrou pessimista nas últimas semanas. A recuperação do fluxo através do Estreito de Ormuz tem gerado confiança entre os traders de que a escassez e as interrupções de suprimento são questões do passado.

Incertezas em Torno do Acordo EUA-Irã

No entanto, a maioria das previsões de preços de petróleo e apostas no mercado assume que o memorando de entendimento entre EUA e Irã é um acordo de paz duradouro. Na realidade, trata-se apenas de um marco para negociar um possível acordo até o final de agosto, e o progresso nesse sentido não é visível publicamente. A situação pode se deteriorar a qualquer momento, especialmente se surgirem novas tensões.

O Irã continua a insistir em algum controle permanente sobre o Estreito de Ormuz, incluindo a exigência de 'taxas de serviço' para a passagem segura pelo estreito, em coordenação com as autoridades iranianas. Embora o tráfego através do Estreito esteja lentamente se recuperando, armadores e operadores permanecem cautelosos quanto às condições e termos aplicáveis a essas transações.

Impacto das Reservas e Estoques de Petróleo

A manutenção de preços baixos do petróleo, especialmente antes das eleições de meio de mandato nos EUA, pode ser um incentivo para que a administração norte-americana busque um acordo. Entretanto, isso não será fácil e provavelmente exigirá concessões. Além disso, o programa nuclear do Irã não foi abordado no memorando ou nas escassas negociações realizadas desde a assinatura do acordo em junho.

Os especuladores do mercado apostam na recuperação dos volumes através do Estreito de Ormuz no terceiro trimestre e na queda dos preços do petróleo até o final do ano. Apesar da resiliência do mercado diante da pior interrupção de suprimentos da história, essa situação foi mitigada por vários fatores, como a liberação de estoques estratégicos pelos governos, incluindo o dos EUA.

Atualmente, as reservas de petróleo dos EUA, incluindo o Reserva Estratégica de Petróleo, estão em seu nível mais baixo desde 1985, sem estoques suficientes para absorver um retorno à demanda. A falta de estoques globais não impede a operação do mercado, mas torna os preços futuros mais vulneráveis a novos choques, conforme analisou Ilia Bouchouev do Instituto de Estudos de Energia de Oxford.

Além disso, a queda nas importações de petróleo da China deverá se reverter em algum momento, embora a demanda pré-guerra possa não ser totalmente recuperada. O restabelecimento gradual dos estoques na Ásia exigirá tempo e recursos, e qualquer mudança nas tensões entre EUA e Irã pode expor o mercado a novas interrupções e a um aumento nos preços do petróleo.