Os países da OPEC+, incluindo Arábia Saudita e Rússia, anunciaram que irão aumentar a produção de petróleo em 188 mil barris por dia a partir de agosto. A decisão foi tomada após uma reunião virtual realizada no domingo, onde os membros revisaram as condições e perspectivas do mercado global.
Este aumento representa a quinta elevação consecutiva anunciada pelos sete países do grupo nos últimos meses, sinalizando uma gradual reversão das reduções de produção impostas em 2023.
A OPEC+, que abrange a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e produtores aliados, como Rússia, Bahrein e Omã, havia cortado a produção em abril de 2023 e novamente em novembro de 2023. Essas medidas foram adotadas em resposta a uma série de colapsos bancários que provocaram uma venda generalizada de petróleo e outras commodities.
Monitoramento contínuo do mercado
Em comunicado, a organização intergovernamental destacou que os países continuarão a monitorar de perto as condições do mercado, ressaltando a importância de uma abordagem cautelosa e a flexibilidade para aumentar, pausar ou reverter as alterações na produção voluntária.
Os sete países também informaram que se reunirão novamente em 2 de agosto para avaliar a situação do mercado.
Impacto da guerra e recuperação dos preços
Após ter ultrapassado brevemente os 126 dólares por barril em abril, os preços do petróleo Brent recuaram para níveis anteriores ao conflito no Irã, em meio a crescentes esperanças de um fim duradouro da guerra e um retorno à normalidade na navegação pelo Estreito de Ormuz.
O tráfego no estreito aumentou desde que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram um memorando de entendimento para encerrar a guerra em 17 de junho. Contudo, o volume ainda está bem abaixo dos níveis pré-conflito, com 38 transições confirmadas no dia 2 de julho, em comparação a cerca de 130 antes do início das hostilidades.
Os futuros do petróleo Brent para entrega em setembro estavam cotados a 72 dólares na segunda-feira, abaixo do preço de liquidação de 72,48 dólares registrado em 27 de fevereiro, um dia antes dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, que iniciaram a guerra.
A efetiva interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, que antes transportava cerca de um quinto das fornecimentos globais de petróleo e gás natural liquefeito, forçou os membros da OPEC+ a reduzir a produção, já que um crescente estoque de barris não enviados sobrecarregou a capacidade de armazenamento da região.
A produção total da OPEC+ caiu para 33,13 milhões de barris por dia em maio, em comparação aos 42,77 milhões de barris diários em fevereiro, de acordo com dados da OPEC.
Fabien Yip, analista de mercado da IG em Sydney, descreveu os últimos aumentos de produção da OPEC+ como uma formalidade diante das condições reais que afetam a oferta. Segundo Yip, os barris efetivos têm sido limitados por meses devido ao bloqueio no Estreito de Ormuz, resultando em uma oferta abaixo das cotas estabelecidas.
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