O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035, aprovado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, prevê um total de R$ 3,5 trilhões em investimentos no setor de energia nos próximos dez anos. Deste montante, R$ 2,8 trilhões serão direcionados para o setor de petróleo e gás natural.
Esse valor representa 80% do total projetado e é significativamente superior ao que está previsto para fontes de energia renováveis, que devem receber apenas R$ 374 bilhões.
Elaborado anualmente pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o PDE oferece uma visão sobre a evolução da oferta e demanda de energia no Brasil, servindo como referência para decisões de investimento e políticas públicas. A nova versão do plano foi publicada no Diário Oficial da União na quinta-feira, 2 de julho de 2026.
Conforme o documento, a exploração e produção de petróleo e gás natural concentrarão 74% dos investimentos em energia, o que equivale a R$ 2,6 trilhões até 2035.
Para a matriz elétrica, que deve manter entre 88% e 94% de renovabilidade ao longo do período, o PDE projeta aportes de R$ 596 bilhões. Dentro desse total, estão previstos R$ 38 bilhões para baterias, R$ 79 bilhões para energia eólica, R$ 54 bilhões para hidráulica, R$ 36 bilhões para solar e R$ 115 bilhões para biocombustíveis.
O plano também estima R$ 117 bilhões em investimentos em infraestrutura de transmissão, considerada um dos principais desafios do sistema elétrico brasileiro.
Avanços nas fontes renováveis
O PDE indica que haverá progressos em todas as fontes de energia renovável. Na categoria de Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), são esperados R$ 106 bilhões em investimentos, com a expectativa de que essa modalidade alcance 78 GW até 2035, representando 21,8% da matriz elétrica nacional.
Os sistemas MMGD incluem pequenas instalações de geração solar ou eólica em residências, comércios e indústrias. Contudo, alguns especialistas do setor consideram essa expansão uma ameaça, pois pode contribuir para o curtailment, fenômeno que ocorre quando a oferta de energia excede a demanda, resultando em desperdício de geração.
Perspectivas para armazenamento
O PDE também aborda tecnologias de armazenamento de energia, que ganharam destaque após o anúncio do primeiro leilão de baterias do país. O plano prevê uma contribuição de 6 a 7 GW de capacidade instalada até 2035, com previsão de implementação a partir de 2028.
“O armazenamento é um destaque importante da expansão indicativa do Sistema Interligado Nacional no PDE 2035”, afirma o estudo. A entrada das baterias deve oferecer maior flexibilidade ao sistema elétrico, permitindo armazenar energia em períodos de sobreoferta e disponibilizá-la em momentos de alta demanda.
O PDE 2035 também projeta uma ampliação da capacidade instalada de geração elétrica do Brasil, passando dos atuais 255 GW para aproximadamente 367 GW até 2035, uma expansão de cerca de 110 GW ao longo da próxima década.
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