Em agosto, uma inovadora plataforma aérea de cerca de 60 metros, desenvolvida pela empresa Sceye, situada no Novo México, cruzará o Pacífico em direção ao Japão. A aeronave, que será posicionada a aproximadamente 18 quilômetros acima da superfície do oceano, na estratosfera, tem como objetivo complementar a rede 5G da operadora Softbank, realizando testes que envolverão a transmissão de dados diretamente para dispositivos.
A Sceye, pronunciada como 'sky', é uma das várias empresas que estão desenvolvendo aeronaves conhecidas como HAPS (estações ou sistemas de plataformas de alta altitude). Esses dispositivos podem ser aviões, balões ou, como é o caso da Sceye, uma estrutura alongada preenchida com hélio e equipada com painéis solares. Outras empresas do setor, como a Aalto, subsidiária da Airbus, também vislumbram aplicações variadas para essas plataformas, incluindo a entrega de serviços de internet em áreas afetadas por desastres e a observação da superfície terrestre.
Vantagens da Estratosfera
A estratosfera é um local estratégico para cobrir amplas áreas, além de estar muito mais próxima do solo do que os satélites em órbita, o que reduz significativamente o gasto energético para a transmissão de sinais. "O que oferecemos, em última análise, são condições semelhantes às do espaço, sem os custos e a complexidade de estar em órbita", explica Mikkel Vestergaard Frandsen, CEO e fundador da Sceye.
No entanto, manter a aeronave na estratosfera apresenta desafios. Frandsen destaca que o projeto precisa ser leve o suficiente para flutuar, mas robusto o suficiente para suportar os sistemas necessários. A aeronave deve acumular e armazenar energia solar durante o dia para operar um ventilador elétrico que reposicione a plataforma em caso de ventos fortes, um teste que foi bem-sucedido em um voo realizado em 2024.
Desde então, a Sceye tem se preparado para o importante teste no Japão. Em um voo realizado na primavera deste ano, a aeronave permaneceu no ar por 12 dias, passando mais de 88 horas "estacionada" em diferentes locais. A empresa espera que sua plataforma possa auxiliar operadores de satélites a atender melhor áreas densamente povoadas.
Frandsen acredita que, no futuro, avistar uma HAPS poderá ser tão comum quanto ver navios nos portos ou trens nas ferrovias.
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