A cidade tem sido pensada para um tipo ideal de cidadão, normalmente um homem, branco, hetero e de médio alto poder econômico. Mas a vida real não é feita só desse sujeito social. A sociedade, ainda bem, é muito mais diversa.
Num país que mais da metade são mulheres, são elas, também, que sustentam e respondem por mais de 50% dos lares brasileiros. São elas que plantam pequenas hortas domésticas ou medicinais garantindo o autoconsumo familiar. É esse seu trabalho – não reconhecido e não valorizado – que sustenta a vida. Contudo, essas mulheres ainda enfrentam inúmeros desafios.
A maioria é pobre, negra e sofre com a ausência ou insuficiência de políticas pública destinadas ao cuidado e à socialização do trabalho doméstico. No déficit habitacional, elas representam cerca de 62% das pessoas responsáveis pela família. Elas são as mais afetadas pelas mudanças climáticas.
Mas, são as que tem o maior potencial de contribuição para a resiliência ambiental. As mulheres são penalizadas de inúmeras formas, seja por assumir maior responsabilidade no trabalho doméstico e de cuidados, seja por receber menor salários. Desde criança aprendemos a importância das mulheres que nos amamentaram, cuidaram de nossas roupas, fizeram nossa comida, nos orientaram nos deveres escolares e contribuíram para o nosso crescimento etc.
Mas pouco ou quase nada aprendemos a importância de limpar a casa, lavar roupa ou cozinhar. Tarefas que todo ser humano funcional, independe do gênero, deve e pode fazer.
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