A Polícia Federal (PF) está investigando um esquema de lavagem de dinheiro liderado pelo empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, que está foragido e é alvo de sanções dos Estados Unidos. A operação, denominada Exchange, revelou que a organização criminal de Shimada mantinha operações financeiras em pelo menos sete países, movimentando até R$ 10,4 bilhões provenientes do tráfico de drogas.
De acordo com a decisão judicial que autorizou as prisões e buscas, Shimada utilizava o pseudônimo "Bryan Willians" em grupos de WhatsApp para monitorar as movimentações financeiras. Em uma das conversas analisadas, ele compartilhou uma planilha com registros detalhados de operações que totalizavam US$ 7,54 milhões, abrangendo grandes cidades dos Estados Unidos, como Houston, Chicago e Los Angeles. Esses registros são considerados pela PF como evidências do recolhimento sistemático de dinheiro em espécie e da utilização de estruturas financeiras para ocultar a origem dos recursos.
Operações em diversos países
A investigação identificou que, além do Brasil e dos Estados Unidos, o grupo de Shimada também operava em Portugal, Paraguai, Argentina, Panamá e Colômbia. Ygor Fokin Saviolli, um dos membros da organização, mencionou em uma conversa ter participado de uma reunião na Colômbia sobre oportunidades de recolhimento de milhões de dólares.
A PF aponta que Shimada atuava como doleiro, intermediando transações financeiras internacionais. Entre seus colaboradores estão seu tio, Amauri Henrique de Oliveira, e sua prima, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que foi presa recentemente. Stella era responsável pela coordenação de operações internacionais e mencionou em mensagens planilhas de movimentações financeiras em diferentes países, incluindo remessas codificadas como "Lisboa".
Estratégias de ocultação e movimentação de recursos
A organização utilizava várias táticas para dificultar o rastreamento das operações, como criptomoedas, empresas de fachada e aplicativos de mensagens criptografadas. A PF também revelou que Carlos Henrique Costa Almeida, outro membro do grupo, era responsável por receber e custodiar euros em Portugal, além de discutir a compra e venda de moeda estrangeira para brasileiros no país.
Além disso, a investigação revelou tratativas envolvendo câmbio paralelo no Paraguai e na Argentina. João Gilberto Codognotto, conhecido como "Giba", propôs a Shimada uma operação em Assunção, enquanto Diego Lameiro Diz foi identificado em negociações relacionadas à comercialização de alho em Mendoza, que poderia estar sendo usada para movimentação de recursos do grupo.
Com base nas evidências coletadas, a PF destaca que Shimada liderava o núcleo financeiro da organização, empregando empresas como Victory Trading e GP8 Pay para movimentar os recursos de forma clandestina. As conversas analisadas também indicam operações em diversas moedas, além do uso de criptomoedas como USDT e Bitcoin.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.