A Polícia Federal (PF) prendeu nesta sexta-feira (3) Stella Stefanie de Oliveira, brasileira que está sob sanções dos Estados Unidos, por suspeitas de envolvimento com o tráfico internacional de drogas. A operação mobilizou mais de 50 agentes e resultou em sete prisões em quatro cidades do estado de São Paulo.

Stella é prima de Victor Shimada, um empresário apontado pela PF como líder de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico, incluindo a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). No entanto, Shimada está foragido. De acordo com os investigadores, Stella tinha a função de coordenar a logística para a arrecadação dos recursos provenientes do crime.

A investigação, que começou em março em colaboração com autoridades norte-americanas, revelou que a gestão financeira do esquema era rudimentar. Os criminosos anotavam datas e valores de transações em cédulas de R$ 2, que funcionavam como recibos para os traficantes. Como resultado, a Justiça brasileira determinou o bloqueio de mais de R$ 10 bilhões dos suspeitos.

Colaboração Internacional e Reação das Autoridades

Após a decretação das prisões pela Justiça brasileira, a PF intensificou o monitoramento dos alvos. Na quarta-feira (1º), o governo dos EUA anunciou sanções contra Stella, Shimada e suas empresas, levando à fuga do empresário. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os investigados já estavam sendo monitorados pela PF e pela Receita Federal antes do anúncio das sanções. Ele destacou a importância da troca de informações entre os dois países.

“Essas pessoas físicas e essas empresas já estavam sendo investigadas no Brasil. A própria autoridade brasileira informou ao governo dos Estados Unidos sobre a situação. O que temos pedido é que os Estados Unidos nos forneçam informações, assim como fazemos com eles”, declarou Durigan.

Defesa e Perspectivas Legais

Filipe Cheles Nascimento, advogado de Stella, informou que aguarda detalhes da investigação para preparar a defesa. “Não tivemos acesso a todos os relatórios. Já foi pedido. Estamos esperando a deliberação da Justiça”, afirmou o advogado.

Em nota, o advogado de Victor Shimada declarou que somente após analisar os autos será possível emitir uma posição sobre os fatos relacionados ao caso.

A situação levanta questões sobre a eficácia das sanções e a colaboração entre Brasil e Estados Unidos no combate ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.