A defesa do ex-governador Cláudio Castro (PL) declarou, na quinta-feira (2.jul.2026), que é falsa a alegação de que ele tenha recebido pagamentos, doações ilegais ou qualquer vantagem indevida atribuída a Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho.
Conforme apurado pelo g1, Castro foi mencionado em uma lista relacionada a Adilsinho, que é alvo da 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na mesma data. A lista indica uma doação de R$ 3,2 milhões ao político.
A lista encontrada contém possíveis pagamentos indevidos, doações eleitorais e registros de contabilidade vinculados a lavagem de dinheiro envolvendo nomes de agentes políticos do Rio de Janeiro.
Leia a íntegra da nota:
A defesa do ex-governador Cláudio Castro afirma que é mentirosa qualquer ilação de que ele tenha recebido pagamento, doação ilegal, vantagem indevida ou qualquer repasse de recursos atribuído a Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho.
“A simples citação de um nome em lista ou anotação produzida por terceiro não comprova recebimento de valores, irregularidade eleitoral ou prática de qualquer ato ilícito. A campanha de 2022 de Cláudio Castro foi regularmente declarada à Justiça Eleitoral, com prestação de contas apresentada e analisada nos termos da legislação.”
“Cláudio Castro não é alvo da operação mencionada e não há imputação formal contra ele relacionada aos fatos noticiados. A defesa reafirma que o ex-governador sempre esteve à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários.”
Contexto de Renúncia e Cassação
Cláudio Castro deixou o governo do Rio de Janeiro em março de 2026, um dia antes do julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre recursos contra sua absolvição pelo TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) em 2024. Na ocasião, ele foi absolvido de uma investigação do Ministério Público Eleitoral do RJ, que apontou uso indevido de verbas públicas e abuso de poder político.
O Ministério Público Eleitoral, juntamente com a coligação que apoiou Marcelo Freixo (PT-RJ), candidato derrotado ao governo do RJ, recorreu ao TSE contra a absolvição. Em novembro, o MP solicitou a cassação e inelegibilidade de Castro, decidida um dia após sua renúncia.
Operação Unha e Carne
A 5ª fase da Operação Unha e Carne, segundo o governo federal, visa aprofundar investigações sobre lavagem de dinheiro por organizações criminosas. O Supremo Tribunal Federal emitiu ordens para o sequestro de cerca de R$ 22 milhões em bens, além de três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão em endereços relacionados aos investigados, no Rio de Janeiro e São João de Meriti (RJ).
Adilsinho é considerado pela Polícia Federal como o líder da nova cúpula do jogo do bicho, com possíveis ligações a agentes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro. Esta fase da operação é resultado da análise de documentos que revelaram uma contabilidade paralela voltada à lavagem de dinheiro e registros de pagamentos indevidos.
A investigação está conectada à ADPF 635, que estabelece diretrizes para operações de segurança pública em comunidades do Rio de Janeiro, e foi impulsionada pela determinação do STF para que a Polícia Federal conduza investigações sobre grupos criminosos e suas conexões com agentes públicos.
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