• PGR aponta inconstitucionalidade A Procuradoria-Geral da República defendeu a derrubada de duas leis de Goiás ligadas à chamada taxa do agro, criadas no governo Ronaldo Caiado e aprovadas pela base governista na Alego. O parecer, assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet em 30 de junho, foi apresentado na ADI 7.885, que tramita no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. • Obras sem licitação entram na mira A ação questiona normas que permitiam o uso de recursos do Fundeinfra em obras de infraestrutura e autorizavam parceria direta com o Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás, o IFAG, sem chamamento público.

• Dinheiro público para entidade privada Para a PGR, o governo abriu caminho para repassar dinheiro público a uma entidade privada e executar obras sem licitação ou seleção adequada. O parecer aponta invasão de competência da União, responsável pelas regras gerais de licitações e contratações públicas. O documento cita cerca de R$ 1,94 bilhão do Fundeinfra.

A preocupação é que recursos desse porte fossem aplicados em obras rodoviárias por meio de parceria direta, sem concorrência, com risco à transparência e à fiscalização. • Leis já estavam suspensas As normas já haviam sido suspensas por decisão liminar de Alexandre de Moraes. Depois, o relator esclareceu que a suspensão não atingia contratos anteriores à decisão.

Mesmo com as leis suspensas e o processo em andamento, o governo de Goiás mudou o modelo e encerrou a cobrança do Fundeinfra pela Lei nº 24.133/2026. A revogação reduz os efeitos para frente, mas não apaga atos praticados enquanto as regras estavam em vigor. • STF pode analisar contratos Com a manifestação da PGR pela procedência da ação, o processo volta para análise de Alexandre de Moraes.

A AGU também já havia defendido a derrubada das normas. O Supremo ainda pode julgar o mérito da ação caso entenda que as leis produziram efeitos, como contratos, obras em andamento, termos de compromisso e atos administrativos baseados no modelo questionado. O governo de Goiás pediu ao STF a modulação dos efeitos de eventual decisão de inconstitucionalidade.

Na prática, tenta preservar contratos, obras em andamento e atos administrativos ligados às leis.