Homem agrediu a filha em via pública

Um pai foi detido após chutar a filha de três anos no rosto em Francisco Beltrão, no interior do Paraná. Em depoimento, ele afirmou que "perdeu a cabeça" e expressou arrependimento pela ação. O caso foi revelado com exclusividade pelo programa Fantástico.

As imagens do incidente mostram o homem caminhando com seus dois filhos após uma ida ao mercado. Durante o trajeto, a criança começou a chorar e gritar, momento em que o pai, segundo seu relato, pediu que ela parasse. Em seguida, ele desferiu um chute na menina, que caiu ao chão, enquanto o irmão de cinco anos, visivelmente assustado, não reagiu.

Uma testemunha, o personal trainer José Luiz, que presenciou a cena, relatou que o menino ficou em estado de choque. "Ele não fez nada, mas estava muito assustado", comentou.

Intervenção e investigação policial

José Luiz foi quem interrompeu a agressão e afirmou que o pai ainda o ameaçou. "Ele me disse: 'Fica na tua porque não é com você e vai sobrar pra você'." O testemunho e imagens de câmeras de segurança foram fundamentais para que a polícia tomasse conhecimento do ocorrido. A equipe policial ouviu familiares e solicitou a prisão do homem, de 31 anos.

Durante o depoimento, o pai questionou quem havia feito a denúncia, mas logo depois expressou arrependimento, dizendo: "Eu perdi a cabeça e acabei fazendo o que não deveria ter feito. Não era intencional. Eu jamais ia machucar a minha filha. Acabou acontecendo."

Possíveis indícios de violência anterior

A Polícia Civil está investigando outras duas situações de violência que envolvem as crianças. A mãe do menino e da menina solicitou uma medida protetiva contra o marido e manifestou sua intenção de se separar. Ela não quis comentar o caso ao ser procurada pela equipe do Fantástico.

O delegado Ricardo Moraes Faria dos Santos informou que a mulher ficou "revoltada, assustada e chocada" com o episódio e nunca imaginou que uma agressão desse tipo ocorresse. Além da agressão em vídeo, há relatos de que o menino teria sido agredido com um pedaço de pau e de castigos cruéis, como obrigar as crianças a ajoelhar sobre grãos de feijão e tampas de garrafas PET.

O pai ainda não possui advogado e a investigação pode levar a um indiciamento por tortura, considerando não apenas lesão corporal, mas também o dano físico e psicológico imposto às crianças.

Aumento da violência contra crianças no Brasil

Dados do Ministério da Saúde indicam um crescimento nos atendimentos hospitalares de crianças vítimas de agressão. Em 2020, 8,9 mil crianças de até 9 anos foram atendidas, número que subiu para 18.968 em 2022, uma média de 52 casos por dia. O presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Edson Ferreira Liberal, alerta que a violência tende a se perpetuar entre gerações se não for interrompida.

Em 2025, o Disque 100 registrou mais de 189 mil denúncias de violência contra crianças, com os principais agressores sendo familiares. José Luiz, o testemunha do caso, enfatiza a importância de não ignorar casos de violência: "Quem presencia algo nesse sentido jamais pode ficar calado."