Uma onda de calor mortal está afetando a Europa, causando congestionamento em hospitais e temperaturas que ultrapassam os 35°C. Estima-se que pelo menos 101 milhões de europeus tenham enfrentado o calor intenso nos últimos dias, resultando em centenas de mortes, incluindo crianças, muitas das quais se afogaram ao tentar se refrescar.

Cientistas afirmam que a mudança climática é "inequivocamente" responsável pela onda de calor que quebrou recordes em países como Reino Unido, França, Espanha e Suíça. Na Holanda, foi emitido o primeiro alerta vermelho por calor na história.

Medidas emergenciais e aumento de internações

Com os hospitais franceses sobrecarregados, as autoridades tomaram a medida incomum de proibir a venda e consumo de bebidas alcoólicas em Paris a partir de sexta-feira e durante o fim de semana. O número de internações hospitalares aumentou drasticamente, com um aumento de quatro vezes nas visitas a emergências por problemas relacionados ao calor.

O chefe da polícia de Paris, Patrice Faure, declarou: "Estamos atingindo um ponto de saturação nas instalações hospitalares. O número de hospitalizações continua a aumentar." O Serviço de Ambulâncias de Londres relatou um aumento significativo nas chamadas de emergência, com o calor extremo levando ao maior número de chamadas de emergência com risco de vida em um único dia.

Impacto humano e previsões alarmantes

As previsões indicam que mais de 380 milhões de pessoas na Europa enfrentarão temperaturas superiores a 30°C. O chefe de clima da ONU, Simon Stiell, declarou que a onda de calor, exacerbada pela infraestrutura inadequada, "tem as digitais da crise climática em toda parte".

Além disso, um menino de 3 anos foi encontrado morto em um carro nos subúrbios de Paris, e o governo francês contabilizou pelo menos 40 mortes por afogamento relacionadas ao calor. Na Espanha, 212 mortes foram registradas entre domingo e quarta-feira, enquanto na Itália, cinco pessoas, incluindo trabalhadores rurais, perderam a vida devido às altas temperaturas.

A vice-diretora do Serviço de Mudança Climática Copernicus da UE, Samantha Burgess, explicou que o clima extremo é resultado de uma "cúpula de calor" que retém ar quente do Norte da África, impedindo a entrada de ar mais frio.