A guerra entre Israel e Irã, que começou em 28 de fevereiro, apresenta um paradoxo intrigante: o país que iniciou o conflito é o que menos tem sofrido com suas consequências. Apesar do clima de tensão e do custo humano do conflito, Israel tem visto sua economia prosperar, enquanto o Irã enfrenta severas perdas.
A erosão da defesa iraniana
O Irã, que durante quatro décadas construiu uma doutrina de defesa baseada em uma rede de aliados e proxies como o Hezbollah e os Houthis, agora vê essa estrutura se desmoronar. A guerra atual tem sido um golpe devastador para essa estratégia. O Hezbollah, já debilitado por um conflito anterior com Israel, cometeu um erro ao intervir em favor de Teerã, resultando em uma resposta israelense severa.
Além disso, os EUA pressionaram o governo libanês a restringir as atividades do Hezbollah, levando a discussões sobre desarmamento. As facções iraquianas pró-Irã também enfrentaram perdas em ataques norte-americanos, enquanto o governo iraquiano atual, sob Ali al-Zaidi, enfrenta a exigência de desarmar esses grupos até setembro.
Um conflito sem front interno
No início da guerra, Israel sofreu ataques diretos de mísseis iranianos, mas a maioria foi interceptada por sistemas de defesa como o Iron Dome. Em contrapartida, os Estados do Golfo enfrentaram ataques iranianos mais intensos, que impactaram infraestruturas civis e energéticas.
Teerã, ciente das consequências de um ataque a alvos americanos ou israelenses, tem focado suas ações em pressionar os EUA através de seus vizinhos do Golfo, evitando um alargamento do conflito que poderia comprometer suas negociações com Washington. Como resultado, Israel não tem sido o alvo principal, enquanto os civis do Golfo suportam o peso do conflito.
Lucros em tempos de guerra
A economia israelense, por sua vez, tem prosperado. O Banco de Israel projeta um crescimento de 4% para 2026, mesmo após uma revisão de suas expectativas devido à guerra. O shekel valorizou cerca de 20% em relação ao dólar nos últimos doze meses, e a bolsa de valores de Tel Aviv continua batendo recordes.
Além disso, as exportações de defesa de Israel atingiram US$ 19,2 bilhões em 2025, um aumento de quase 30% em relação ao ano anterior, refletindo a performance de seus sistemas de defesa em campo. A produção de gás das reservas de Leviathan e Tamar também segue em alta, com exportações para o Egito.
Embora Israel esteja enfrentando custos de defesa elevados e desafios sociais, a relação entre custos e ganhos favorece sua posição, tornando-se um paradoxo: o país colhe os benefícios de uma guerra que, em grande parte, tem afetado outros.
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