A guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, iniciada em 28 de fevereiro, continua a afetar o mercado internacional de petróleo. No último pregão antes do conflito, em 27 de fevereiro, o barril do Brent estava cotado a US$ 72,48, encerrando a sessão de 27 de julho a US$ 85,46, o que representa uma alta acumulada de 18,2%.
No entanto, essa alta não traduz a intensidade das oscilações do período. Durante esses quatro meses, o preço do Brent alcançou um pico de US$ 126,41 por barril, a maior cotação intradiária registrada, antes de cair para US$ 70,14, o menor nível observado no intervalo. A diferença de US$ 56,27 entre esses valores ilustra como a guerra exacerbou a volatilidade no setor energético.
Nos primeiros dias do conflito, o Brent disparou, impulsionado pelo receio de interrupções na oferta global de petróleo, encerrando março a US$ 118,35, uma valorização de 63,3% em relação ao início da guerra. Contudo, com a manutenção do fluxo internacional de petróleo e a diminuição dos temores de desabastecimento, os preços praticamente devolveram os ganhos, chegando a US$ 71,57 no fechamento de 1º de julho, uma queda de 39,5% em relação ao pico.
Após essa queda, os preços do Brent voltaram a subir, recuperando quase 20% em menos de um mês e encerrando esse período acima do patamar anterior à escalada, embora ainda distantes das máximas alcançadas durante o auge das tensões.
Preocupações com o Abastecimento
Os investidores permanecem atentos ao risco de interrupção do abastecimento global de petróleo, especialmente no estreito de Ormuz, uma rota estratégica que transporta cerca de um quinto da produção mundial por via marítima. Aumentos nos riscos de bloqueio ou de ampliação do conflito resultam em reações significativas nos contratos futuros, enquanto a diminuição desses temores provoca correções nos preços.
Impacto Econômico e Inflacionário
Os preços do Brent têm impacto direto nos custos internacionais de combustíveis, fretes, transporte marítimo, aviação, fertilizantes e produtos petroquímicos. Com a interconexão entre essas cadeias produtivas, aumentos persistentes nos preços costumam pressionar a inflação em diversas economias.
Durante os meses de maior estresse, a valorização do petróleo reacendeu preocupações sobre uma nova onda inflacionária global, especialmente em um momento em que vários países estavam iniciando ou planejando ciclos de redução de juros. A queda subsequente das cotações aliviou parte dessas pressões, mas não eliminou o prêmio de risco associado ao conflito.
Embora atualmente o Brent esteja negociado significativamente abaixo do pico registrado em abril, ele permanece acima dos níveis observados antes do início da guerra. A combinação de preços elevados e oscilações intensas indica que o mercado ainda considera a possibilidade de novos episódios de instabilidade no Oriente Médio.
O petróleo continua a ser um dos principais indicadores dos riscos relacionados à inflação, ao crescimento econômico e à política monetária, especialmente diante da incerteza sobre a resolução do conflito.
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