O porta-voz do Parlamento do Irã e chefe da equipe de negociação do país nas conversações com os Estados Unidos, Mohammad Bagher Ghalibaf, repudiou as afirmações do presidente americano Donald Trump de que os ativos iranianos desbloqueados seriam utilizados apenas para comprar produtos agrícolas dos EUA.
Em uma publicação na plataforma X, Ghalibaf afirmou: “A América afirma falsamente que nossos ativos desbloqueados serão usados para comprar sua agricultura.” Ele também criticou a retórica americana, dizendo que “a única colheita que estamos colhendo é o que vocês [os EUA] plantaram: décadas de desconfiança. É orgânico, abundante e cultivado em casa.”
As declarações de Ghalibaf surgem após Trump afirmar que uma parte do alívio financeiro, mediado por um Memorando de Entendimento (MoU) com o Paquistão, incluiria US$ 500 milhões em produtos americanos. Trump garantiu que nenhum dinheiro em espécie chegaria a Teerã, e que os fundos seriam utilizados para comprar milho e trigo de agricultores dos EUA para resolver o que ele descreveu como um “problema de fome” no Irã.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, declarou que, se os ativos iranianos forem desbloqueados, “eles servirão para enriquecer os agricultores americanos e alimentar o povo iraniano.” O secretário de Estado, Marco Rubio, em declaração ao lado de líderes do Bahrein, enfatizou que os Estados Unidos buscam um acordo que não comprometa a segurança ou a prosperidade de seus aliados na região.
Em resposta, a mídia estatal e semi-oficial do Irã tem apresentado a narrativa do governo norte-americano como uma tentativa de desestabilização, caracterizando o acordo como uma vitória estratégica para Teerã. Segundo a agência de notícias semi-oficial Mehr, Ghalibaf descreveu o memorando como uma “declaração de derrota dos EUA”, ressaltando que o texto não contém cláusulas legais que exijam a compra de produtos norte-americanos.
O governador do banco central iraniano também afirmou que os fundos liberados pelo novo acordo com os EUA não seriam necessariamente limitados a bens essenciais. As tensões em torno da implementação do acordo persistem enquanto as duas partes continuam a negociar os detalhes do MoU.
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