Paul Dempsey e Bernard Fanning, renomados músicos australianos, estão entre os artistas que expressaram sua indignação ao descobrirem que suas canções foram incluídas em conjuntos de dados utilizados para treinar inteligência artificial (IA).
Um novo recurso de busca de conjuntos de dados, desenvolvido pela revista americana The Atlantic, revelou que milhões de obras criativas foram coletadas da internet para alimentar essa tecnologia emergente, incluindo músicas de artistas australianos como Kylie Minogue, Powderfinger, Nick Cave e Jimmy Barnes, além de livros de Thomas Keneally e Peter Carey.
Dempsey, vocalista da banda Something For Kate, já suspeitava que sua música estava sendo utilizada sem autorização. Ao usar a ferramenta de busca, ele encontrou todo o catálogo de sua banda e suas canções solo. “É frustrante que isso esteja acontecendo. Todos os acordos e contratos que assinei em minha carreira foram desconsiderados”, afirmou à AAP. “A capacidade de um artista de negociar termos justos para o uso de seu conteúdo está sendo retirada deles.”
A preocupação com a 'ingestão' de conteúdo
A crescente apreensão sobre o uso de conteúdos protegidos por direitos autorais para treinar IA, conhecido como 'slurping', é uma questão central no debate atual. Bernard Fanning argumentou que o uso de músicas originais para criar conteúdo robótico é desumanizador. “Queremos robôs contando nossas histórias e sintetizando nossos sentimentos? Porque isso não é humano”, defendeu.
O compositor Darren Hayes também se manifestou, expressando sua indignação ao descobrir que toda a sua carreira de 30 anos, incluindo sucessos do Savage Garden, estava nos conjuntos de dados. “Sinto-me violado por todo o trabalho duro que dediquei à minha música ter sido roubado”, disse em uma postagem no Instagram.
Questões legais e a resposta da indústria
Os conjuntos de dados em questão foram criados por grupos de pesquisa, como Sleeping AI e LAION, e representam um desafio às leis de propriedade intelectual australianas, que exigem permissão para o uso de obras protegidas. Apesar das preocupações, a indústria de tecnologia tem pressionado por isenções legais que permitiriam o uso de conteúdos sem compensação aos criadores.
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