A morte de quatro irmãos, encontrados mortos após beberem veneno em um quarto de casa, expõe um dos lados menos conhecidos do rápido desenvolvimento econômico da China: o custo humano da migração de trabalhadores rurais para as grandes cidades.

Crianças deixadas para trás

A história destes quatro irmãos é parte de um fenômeno que marcou o crescimento econômico chinês nas últimas décadas: a migração em massa de trabalhadores rurais para outras regiões do país.

No estado de Guizhou, cerca de 600 mil pessoas deixavam a região todos os anos para trabalhar principalmente na indústria têxtil. O salário médio era de US$ 25 por mês, e os trabalhadores recebiam alojamento e alimentação, enviando grande parte do dinheiro para suas famílias.

Sistema que separava pais e filhos

Uma das razões para essa separação era o sistema hukou, um registro de residência que dificultava o acesso dos trabalhadores migrantes e de seus filhos a serviços públicos nas cidades onde eles trabalhavam.

Isso criou uma enorme força de trabalho barata, fundamental para o modelo econômico chinês das últimas quatro ou cinco décadas. Nos últimos anos, o sistema foi flexibilizado, permitindo que algumas escolas aceitem filhos de trabalhadores migrantes, embora ainda existam restrições.