O ministro Benjamin Zymler, do Tribunal de Contas da União (TCU), deve apresentar um voto favorável à retomada das obras do trecho Salgueiro–Suape da Ferrovia Transnordestina. A análise ocorrerá nesta quarta-feira (15.jul.2026) em resposta a embargos de declaração da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Infra S.A., que contestam a decisão que suspendeu novos compromissos financeiros relacionados ao projeto. A sessão está agendada para as 14h30.
O ramal pernambucano, com 544 km de extensão, conecta Salgueiro, no sertão de Pernambuco, ao Porto de Suape, na região metropolitana do Recife. A continuidade das obras está paralisada desde 13 de maio, quando o plenário do TCU aprovou o voto do ministro Jhonatan de Jesus. O Acordão nº 1218 de 2026 determinou que o Ministério dos Transportes e a Infra S.A. não assumissem novos compromissos financeiros até que fosse apresentada uma base técnica atualizada e considerada idônea sobre a viabilidade socioeconômica do investimento.
A decisão do TCU impediu a contratação das obras do lote SPS 04, que abrange 73,3 km entre os municípios de Custódia e Arcoverde, em Pernambuco. De acordo com levantamento do próprio TCU, o trecho Salgueiro–Suape possui 179 km com infraestrutura concluída e outros 126 km parcialmente construídos.
Apesar das restrições, Zymler deve abrir uma divergência que permitiria a retomada das obras. Seu voto será fundamentado em um novo estudo da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), apresentado ao TCU na segunda-feira (13.jul). Essa análise estima que a conclusão do ramal geraria um Valor Social Presente Líquido (VSPL) positivo de R$ 4,76 bilhões e uma taxa de retorno econômico de 15,53%.
Na segunda-feira, o ministro se reuniu virtualmente com o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, um representante da Infra S.A. e o senador Humberto Costa (PT-PE). O senador expressou a expectativa de que as novas informações sejam suficientes para atender às exigências do TCU e possibilitar a assinatura dos contratos.
Antes do encontro, Humberto Costa defendeu a conclusão do ramal em discurso no Senado, argumentando que a ligação com Suape poderia reduzir em até 30% o frete dos produtos de exportação e aumentar a capacidade de atração de investimentos para Pernambuco e outros estados do Nordeste.
Levantamento da Sudene
O estudo da Sudene revisa a matriz de cargas da ferrovia, ampliando as projeções que antes se concentravam em minérios e grãos destinados à exportação. A nova análise inclui cargas movimentadas dentro do Nordeste, como gesso, combustíveis, fertilizantes, calcário, produtos siderúrgicos, insumos da construção civil e contêineres.
Com a atualização, a Sudene projeta que o ramal poderá movimentar entre 18 milhões e 24 milhões de toneladas por ano. A operação em ambos os sentidos permitirá o transporte de produtos do interior até Suape e a distribuição de combustíveis, fertilizantes e outros bens para municípios do sertão, reduzindo o risco de ociosidade da ferrovia.
O estudo também estima a criação de cerca de 13.000 empregos diretos durante a construção e 9.600 postos permanentes na operação, abrangendo atividades ferroviárias, terminais e negócios induzidos pela nova infraestrutura. A obra deve ter um impacto de aproximadamente R$ 8,23 bilhões no Valor Adicionado Bruto (VAB) durante a implantação e acrescentar cerca de R$ 910 milhões por ano à economia na fase operacional.
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